Cálculo 1, módulo 3: logaritmos
Logaritmos da definição até a base variável, com o Problema 3 da P1 resolvido item por item e treino em seis graus.
Objetivo
Impor as condições de existência de um logaritmo de base variável e juntá-las num domínio, passando por potências, mudança de base e raízes estranhas.
Calculo 1 modulo 3 logaritmos
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Objetivo
O material inteiro, para ler aqui ou ouvir com o leitor do navegador. As fórmulas aparecem em linha, como (x − 1)/(x − 2); no PDF elas estão montadas.
GUIA DA P1: CÁLCULO 1
Módulo 3
Logaritmos
Da definição até a base variável, teoria destrinchada e treino em seis graus
Guia da P1 · Autor: Ulysses Cesar
Curso de Engenharia Civil
O QUE TORNA ESTE PROBLEMA DIFERENTE DOS OUTROS
A função da prova é h(x) = log₍₇₋ₓ₎ (x² − 25), o x aparece na BASE e no LOGARITMANDO ao mesmo tempo.
Quase todo exercício de escola tem base fixa (log₂, log₁₀, ln). Aqui a base varia com x, e isso obriga a impor TRÊS condições de existência em vez de uma. O item (d), que vale 2,5 pontos, o item mais caro da prova inteira, é exatamente juntar essas condições.
A boa notícia: a máquina de juntar condições é a do Módulo 1. Intervalos, interseção, furos na reta. Você já sabe fazer.
COMO ESTE MÓDULO ESTÁ ORGANIZADO
PARTE A: teoria em 16 seções, começando em potências. Se você não lembra o que é expoente negativo ou fracionário, comece em A.2 e não pule nada.
PARTE B: os sete itens do Problema 3, resolvidos um a um.
PARTE C: o roteiro dos doze minutos.
PARTE D: treino em seis graus, do mecânico ao nível de prova.
APÊNDICE, o mapa da sua biblioteca: onde ler cada assunto nos livros da pasta, incluindo a coleção Iezzi que você acabou de juntar.
Sumário
PARTE A: A teoria, destrinchada
A.1 A pergunta que o logaritmo responde
A.2 Potências: o que o expoente significa
A.3 As propriedades das potências
A.4 A função exponencial e por que a base é restrita
A.5 A definição de logaritmo
A.6 Calcular logaritmos simples, sem calculadora
A.7 As três condições de existência, e o porquê de cada uma
A.8 Consequências imediatas da definição
A.9 As três propriedades operatórias
A.10 Mudança de base
A.11 ln, log decimal e a confusão de notação
A.12 Equação logarítmica: o método
A.13 A verificação obrigatória: raízes estranhas
A.14 Equação exponencial: os três casos
A.15 Domínio com base variável: as três condições juntas
A.16 Interseção de conjuntos com furos
PARTE B: O Problema 3, resolvido item por item
B.0 O enunciado e o mapa da questão
B.a Condições sobre a base [0,6]
B.b Para quais x a base é válida [1,0]
B.c A condição sobre o logaritmando [0,9]
B.d O domínio de h e sua representação [2,5]
B.e Resolver h(x) = 2 [1,5]
B.f Resolver h(x) = 0 [1,5]
B.g Calcular h(−8) por mudança de base [2,0]
PARTE C: O roteiro dos doze minutos
C.1 O que dizer, em ordem
C.2 As frases que valem ponto
C.3 Erros que custam ponto
PARTE D: Treino em seis graus
Grau 1, A definição, nos dois sentidos
Grau 2, Condições de existência
Grau 3, Propriedades operatórias
Grau 4, Mudança de base
Grau 5, Equações exponenciais e logarítmicas
Grau 6, Domínios e nível de prova
Gabarito comentado dos seis graus
Apêndice: O mapa da sua biblioteca
PARTE A: A teoria, destrinchada
A.1 A pergunta que o logaritmo responde
Toda operação matemática tem uma operação inversa, que desfaz o que ela fez. Somar tem subtrair; multiplicar tem dividir. E a potência tem DUAS inversas, porque nela os dois números fazem papéis diferentes.
A pergunta · A operação que responde · Exemplo
2³ = ?, quanto dá? · potenciação · 2³ = 8
?³ = 8, qual é a base? · radiciação · ∛8 = 2
2? = 8, qual é o EXPOENTE? · LOGARITMO · log₂ 8 = 3
A FRASE QUE RESOLVE 80% DAS DÚVIDAS COM LOGARITMO
Logaritmo é expoente. Só isso.
Quando você vê log₂ 8, leia mentalmente: "a que expoente eu tenho que elevar o 2 para chegar no 8?". A resposta é 3, e por isso log₂ 8 = 3.
Toda propriedade estranha que vem depois é apenas uma propriedade de potência, escrita do outro lado do espelho.
A.2 Potências: o que o expoente significa
Antes do logaritmo, é preciso estar firme na potência. O expoente começa como contagem de multiplicações repetidas, e vai sendo estendido:
Tipo de expoente · Definição · Exemplo
natural (n ≥ 1) · bⁿ = b · b · … · b, com n fatores · 2⁴ = 2·2·2·2 = 16
zero · b⁰ = 1, para b ≠ 0 · 7⁰ = 1
inteiro negativo · b⁻ⁿ = 1/bⁿ · 2⁻³ = 1/8
fracionário 1/n · b1/n = ⁿ√b · 91/2 = √9 = 3
fracionário m/n · bm/n = ⁿ√(bᵐ) · 82/3 = ∛(8²) = 4
real qualquer · definido por aproximação, para b > 0 · 2^√2 ≈ 2,665
DUAS COISAS QUE SE ESQUECEM
Expoente negativo NÃO faz o número ficar negativo. Ele INVERTE: 2⁻³ = 1/8, que é positivo.
Expoente fracionário é raiz. O denominador da fração é o índice da raiz: b1/3 = ∛b.
Consequência: uma potência de base positiva é SEMPRE positiva, seja qual for o expoente. Nunca dá zero, nunca dá negativo. Guarde isso, é o motivo da terceira condição de existência do logaritmo (seção A.7).
A.3 As propriedades das potências
bᵐ · bⁿ = bᵐ⁺ⁿ bᵐ / bⁿ = bᵐ⁻ⁿ( bᵐ )ⁿ = bᵐⁿ ( b · c )ⁿ = bⁿ · cⁿ
Não decore: elas se conferem em três segundos expandindo. 2² · 2³ = (2·2)·(2·2·2) = 2⁵, e 2 + 3 = 5. Está tudo aí.
Cada uma dessas quatro vai virar uma propriedade de logaritmo na seção A.9. Multiplicação de potências vira soma de logaritmos; divisão vira subtração; potência de potência vira produto. É a mesma tabela, lida do outro lado.
A.4 A função exponencial e por que a base é restrita
f(x) = bˣ, com b > 0 e b ≠ 1
As duas restrições sobre b não são capricho. Cada uma tem um motivo concreto:
Restrição · O que aconteceria sem ela
b > 0 · Com b = −4, quanto vale (−4)1/2? Seria √(−4), que não existe nos reais. A função teria buracos em quase toda parte e não serviria para nada.
b ≠ 1 · Com b = 1, tem-se 1ˣ = 1 para todo x. A função vira uma reta horizontal constante. Ela nunca sobe nem desce, e por isso não tem inversa, não há como voltar de 1 para o x que o gerou.
E há um fato adicional, que será usado o tempo todo: como b > 0, a saída bˣ é SEMPRE positiva. A imagem da exponencial é (0, +∞). Ela chega perto de zero, mas nunca chega a zero, e jamais fica negativa.
A.5 A definição de logaritmo
O logaritmo é a função que desfaz a exponencial: dada a base e o resultado, ele devolve o expoente.
Figura 1: a definição de logaritmo. As duas escritas dizem exatamente a mesma coisa.
logb ( a ) = c ⟺ bc = a
Os nomes: b é a base, a é o logaritmando (o número de dentro) e c é o logaritmo, que, repetindo, é um expoente.
O EXERCÍCIO MENTAL QUE VALE A PENA FAZER
Toda vez que aparecer um logaritmo, reescreva-o na forma exponencial. Toda vez que aparecer uma potência, reescreva-a como logaritmo. Faça isso umas trinta vezes (é o Grau 1 do treino) e o assunto para de ser abstrato.
log₃ 81 = 4 ⟺ 3⁴ = 81
log₅ (1/25) = −2 ⟺ 5⁻² = 1/25
10⁻³ = 0,001 ⟺ log₁₀ 0,001 = −3
A.6 Calcular logaritmos simples, sem calculadora
O método é sempre o mesmo: escreva o logaritmando como potência da base.
Calcular · Reescrevo o logaritmando · Resposta
log₃ 81 · 81 = 3⁴ · 4
log₂ (1/16) · 1/16 = 2⁻⁴ · −4
log₇ 1 · 1 = 7⁰ · 0
log₅ 5 · 5 = 5¹ · 1
log₄ 2 · 2 = 41/2 · 1/2
log₂ √2 · √2 = 21/2 · 1/2
log1/3 9 · 9 = (1/3)⁻² · −2
log₁₀ 0,01 · 0,01 = 10⁻² · −2
A.7 As três condições de existência, e o porquê de cada uma
Esta seção é o coração do Problema 3. São três condições, e a prova pede a justificativa de cada uma.
Para logb ( a ) existir: b > 0 b ≠ 1 a > 0
Condição 1, a base tem que ser positiva: b > 0
Porque o logaritmo é o expoente de uma potência de base b, e potências de base negativa não estão definidas para todo expoente real. Sem base positiva, a exponencial que o logaritmo inverte nem sequer existe.
Contraexemplo com número. Tome a base −2. As potências inteiras existem, mas trocam de sinal: (−2)2 = 4 e (−2)3 = −8. Já (−2)1/2 = √(−2) não é número real. Como a potência não existe para todo expoente, não existe a exponencial de base −2 e, portanto, não existe logaritmo nessa base.
Condição 2, a base não pode ser 1: b ≠ 1
Porque 1 elevado a qualquer coisa dá 1. Se você perguntar "a que expoente elevo 1 para chegar em 8?", não existe resposta. E se perguntar "para chegar em 1?", qualquer expoente serve, infinitas respostas. Nos dois casos não há função: ou nenhuma saída, ou saída não única.
Contraexemplo com número. Escrever log₁ 5 = c exigiria 1c = 5. Mas 1 elevado a qualquer expoente dá 1 (12 = 1, 10 = 1, 1−3 = 1), nunca 5. Logo o logaritmo de 5 na base 1 não existe. E log₁ 1 = c serviria para qualquer c, porque 1c = 1 sempre: não haveria uma resposta única.
Condição 3, o logaritmando tem que ser positivo: a > 0
Porque, com b > 0, a potência bc é sempre positiva (seção A.2). Se o logaritmando fosse zero ou negativo, você estaria pedindo um expoente que produzisse algo que a exponencial nunca produz. Não existe.
A CONDIÇÃO 3 É A MAIS COBRADA, E A MAIS ESQUECIDA
log₂ (x − 5) só existe quando x − 5 > 0, isto é, x > 5. Não é x ≥ 5: o zero também está proibido, porque nenhuma potência de 2 dá zero.
Repare na diferença com a raiz quadrada, do Módulo 2: √u exige u ≥ 0, com o igual. O logaritmo exige u > 0, sem o igual. Trocar um pelo outro custa ponto.
Resumo: raiz aceita zero, logaritmo não aceita.
A.8 Consequências imediatas da definição
Cinco fatos que saem direto da definição e economizam tempo na prova:
Identidade · Por quê
logb 1 = 0 · porque b⁰ = 1, qualquer que seja a base
logb b = 1 · porque b¹ = b
logb bⁿ = n · porque o expoente que produz bⁿ é, obviamente, n
blogb a = a · a exponencial desfaz o logaritmo: são inversas uma da outra
logb a = logb c ⟺ a = c · a função logarítmica é injetora, nunca repete saída
A quarta e a quinta são as ferramentas de resolver equação. A quinta permite "cortar os logs" dos dois lados quando as bases são iguais.
A.9 As três propriedades operatórias
log_b (M·N) = log_b M + log_b Nlog_b (M/N) = log_b M − log_b Nlog_b (M^α) = α·log_b M
São as propriedades das potências, traduzidas. A primeira diz que multiplicar por dentro vira somar por fora, porque, ao multiplicar potências de mesma base, os expoentes se somam.
Da terceira sai um caso muito usado, o da raiz:
logb ( ⁿ√M ) = logb ( M1/n ) = ( 1/n ) · logb M
AS TRÊS ARMADILHAS CLÁSSICAS
log(M + N) NÃO é log M + log N. Não existe propriedade para o logaritmo de uma SOMA. Só para produto, quociente e potência.
log(M · N) NÃO é log M · log N. É a SOMA dos logaritmos, não o produto.
(log M)² NÃO é log(M²). No primeiro, você eleva o resultado; no segundo, o logaritmando. Só o segundo vira 2·log M.
COMO ESSAS PROPRIEDADES SÃO USADAS NA PRÁTICA
Elas servem para quebrar um número grande em números pequenos e conhecidos. É exatamente o que o item (g) da prova pede, e o que o Problema 21 da Lista treina.
Exemplo: ln 39 = ln(3 · 13) = ln 3 + ln 13. Se você conhece ln 3 e ln 13, conhece ln 39.
O truque é sempre o mesmo: fatore o número em primos ou em fatores conhecidos, e aplique a propriedade do produto.
A.10 Mudança de base
Serve para trocar a base de um logaritmo por outra qualquer, normalmente por uma que a calculadora tenha, ou que o enunciado forneça.
logb a = logc a / logc b
Em palavras: o logaritmo na base antiga é igual ao logaritmo do logaritmando dividido pelo logaritmo da base antiga, ambos na base nova. A base nova, c, pode ser qualquer uma válida.
Na prática, quase sempre se muda para ln:
logb a = ln a / ln b
COMO NÃO ERRAR QUEM VAI EM CIMA E QUEM VAI EMBAIXO
O logaritmando fica em CIMA; a base fica EMBAIXO. Mnemônico: a base é a base, fica na parte de baixo da fração.
Confira num caso que você sabe: log₂ 8 = 3. Pela fórmula, ln 8 / ln 2 = (3·ln2)/ln2 = 3 (confere). Se você tivesse invertido, daria 1/3, que está errado. Faça essa conferência sempre que tiver dúvida.
A.11 ln, log decimal e a confusão de notação
Escrita · Significa · Onde aparece
ln a · loge a, com e ≈ 2,718 · padrão em Cálculo; é o que a prova fornece
log a · depende do contexto: log₁₀ a nas ciências; loge a em muitos livros de Cálculo · quando a base não importa, como no item (c) da prova
logb a · base explícita b · sempre que a base for específica
O número e ≈ 2,71828 é irracional, como π. Ele aparecerá com toda a força na Etapa 2, quando a derivada de eˣ se revelar igual a eˣ. Por ora, basta tratá-lo como uma base qualquer, positiva e diferente de 1.
No item (c) da prova, o enunciado diz "independente da base" justamente porque a condição do logaritmando não depende dela: seja qual for a base, o logaritmando tem que ser positivo.
A.12 Equação logarítmica: o método
Há dois padrões, e os dois se resolvem aplicando a definição ou a injetividade.
Padrão 1, logaritmo isolado, igual a um número
logb A = c ⇒ A = bc
É a definição, usada da esquerda para a direita. Exemplo: ln(3x − 10) = 2 ⇒ 3x − 10 = e² ⇒ x = (e^2 + 10)/3.
Padrão 2, logaritmo igual a logaritmo, mesma base
logb A = logb B ⇒ A = B
É a injetividade (seção A.8). Se houver soma de logaritmos, junte-os antes com a propriedade do produto. Exemplo: ln x − ln(x − 1) = 1 ⇒ ln[x/(x−1)] = 1 ⇒ x/(x−1) = e.
A.13 A verificação obrigatória: raízes estranhas
As propriedades do logaritmo podem AMPLIAR o domínio. Ao juntar log M + log N em log(MN), a expressão passa a fazer sentido em pontos onde a original não fazia, porque MN pode ser positivo mesmo com M e N ambos negativos.
Resultado: a equação transformada pode ter soluções que a original não tem. Elas se chamam raízes estranhas, e é obrigatório testá-las.
O EXEMPLO CLÁSSICO
Resolva log(x) + log(x − 3) = 1 (base 10).
Juntando: log[x(x − 3)] = 1 ⇒ x² − 3x = 10 ⇒ x² − 3x − 10 = 0 ⇒ x = 5 ou x = −2.
Teste x = 5: log 5 e log 2 existem. (confere)
Teste x = −2: log(−2) NÃO existe. ✗ Descartado.
A resposta é apenas x = 5. Quem não testa entrega duas soluções e perde metade do item.
A REGRA, EM UMA LINHA
Resolveu equação com logaritmo, conferiu no domínio. Sempre, sem exceção. É o mesmo hábito do item (d) do Módulo 2, e a prova pede isso expressamente nos itens (e) e (f) do Problema 3: "verifique se x ∈ D(h)".
A.14 Equação exponencial: os três casos
Caso · Como reconhecer · Método · Exemplo
Mesma base · dá para escrever os dois lados na mesma base · iguale os expoentes · 2ˣ⁻⁵ = 8 = 2³ ⇒ x − 5 = 3
Bases diferentes · não dá para igualar as bases · aplique ln nos dois lados · 2ˣ⁻⁵ = 3 ⇒ (x−5)ln2 = ln3
Disfarçada de 2º grau · aparecem e²ˣ e eˣ, ou 4ˣ e 2ˣ · substitua u = eˣ e resolva · e²ˣ − 3eˣ + 2 = 0 ⇒ u² − 3u + 2 = 0
No terceiro caso, lembre que u = eˣ é sempre POSITIVO. Se a equação em u der uma raiz negativa, ela deve ser descartada, é outra forma de raiz estranha.
A.15 Domínio com base variável: as três condições juntas
Quando o x aparece na base, as três condições da seção A.7 viram três inequações em x, e todas precisam valer AO MESMO TEMPO. O domínio é a interseção das três soluções.
Para log_(base(x)) ( arg(x) ) existir:base(x) > 0 base(x) ≠ 1 arg(x) > 0
1. Resolva base(x) > 0. Normalmente é uma inequação do 1º grau.
2. Resolva base(x) = 1 e EXCLUA essa solução, é um furo na reta.
3. Resolva arg(x) > 0. Normalmente é uma inequação do 2º grau, resolvida pelos princípios do Módulo 1.
4. Desenhe as três soluções em retas alinhadas e tome a interseção.
POR QUE A CONDIÇÃO base ≠ 1 VIRA UM FURO
As outras duas condições são desigualdades e produzem intervalos. Esta é uma igualdade proibida, e produz a exclusão de um único ponto.
É o mesmo comportamento do denominador no Módulo 2: um ponto isolado que sai da resposta e parte o intervalo em dois. No Problema 3, esse ponto é o x = 6, e é ele que faz o domínio ter três pedaços em vez de dois.
A.16 Interseção de conjuntos com furos
É a mesma técnica do Módulo 1, com um cuidado a mais. O método:
1. Liste todos os pontos-chave de todas as condições, em ordem crescente na reta.
2. Desenhe uma reta por condição, todas alinhadas verticalmente.
3. Pinte, na reta-resposta, apenas o que estiver pintado em TODAS as linhas acima.
4. Aplique os furos: qualquer ponto excluído por qualquer condição sai da resposta, mesmo que todas as outras o aceitem.
A regra de ouro: para a interseção, basta uma condição rejeitar o ponto para ele ficar de fora. É o oposto da união, onde basta uma aceitar.
PARTE B: O Problema 3, resolvido item por item
B.0 O enunciado e o mapa da questão
h(x) = log₍₇₋ₓ₎ ( x² − 25 )
Sete itens, 10,0 pontos. A questão é uma escada em dois lances: os itens (a) a (d) constroem o domínio; os itens (e) a (g) usam esse domínio para três tarefas diferentes, resolver duas equações e calcular um valor.
Item · O que pede · Pontos · Usa
a · condições sobre a base b, em geral · 0,6 ·
b · para quais x a base 7 − x é válida · 1,0 · a
c · condição sobre x² − 25 e sua solução · 0,9 ·
d · o domínio de h e a reta numérica · 2,5 · b, c
e · resolver h(x) = 2 e verificar no domínio · 1,5 · d
f · mostrar que h(x) = 0 tem duas raízes e verificá-las · 1,5 · d
g · calcular h(−8) por mudança de base · 2,0 · d
O ITEM (d) VALE 2,5, É O ITEM MAIS CARO DA PROVA INTEIRA
E ele é só juntar (b) com (c). Se você fizer os dois primeiros com calma e desenhar as retas alinhadas, o item mais caro sai de graça.
Além disso, os três últimos itens dependem dele: errar o domínio derruba 7,5 pontos dos 10, e não 2,5.
B.a Quais são as condições sobre a base b para que logb esteja definida [0,6]
b > 0 e b ≠ 1
A conta é nenhuma, o que vale a nota é a justificativa. Diga as duas:
b > 0 porque o logaritmo é o expoente de uma potência de base b, e potências de base negativa não estão definidas para todo expoente real. Com b = −4, por exemplo, (−4)1/2 seria √(−4), que não existe nos reais.
b ≠ 1 porque 1 elevado a qualquer expoente dá 1. Não haveria expoente capaz de produzir um número diferente de 1, e haveria infinitos capazes de produzir o próprio 1, em nenhum dos casos existe função. Exemplo: log₁ 5 = c exigiria 1c = 5, mas 1c = 1 para todo c; então o logaritmo de 5 na base 1 não existe.
B.b Para quais valores de x o operador log₍₇₋ₓ₎ está bem definido [1,0]
Aqui a base é b = 7 − x. Aplicando as duas condições do item anterior:
7 − x > 0 ⇒ x < 77 − x ≠ 1 ⇒ x ≠ 6
A primeira é uma inequação do 1º grau: passando o x para o outro lado, 7 > x. A segunda é uma igualdade proibida: 7 − x = 1 dá x = 6, e esse ponto sai.
x ∈ ( −∞ , 6 ) ∪ ( 6 , 7 )
POR QUE A RESPOSTA TEM DOIS PEDAÇOS
A condição x < 7 sozinha daria o intervalo (−∞, 7). Mas o ponto x = 6 está dentro dele e precisa ser furado, e furar um ponto no meio de um intervalo o parte em dois.
É exatamente o mesmo fenômeno do Problema 2 da Lista, item (f), onde tirar o 5 de [3, 9) produzia [3,5) ∪ (5,9).
B.c A condição sobre x² − 25 e sua solução [0,9]
O logaritmando tem que ser estritamente positivo, seja qual for a base:
x² − 25 > 0
É uma inequação do 2º grau, território do Módulo 1. Com a = 1, b = 0, c = −25:
Δ = 0² − 4 · 1 · ( −25 ) = 100 > 0 raízes: x = ± 5
Ou, mais rápido, por diferença de quadrados: x² − 25 = (x − 5)(x + 5), que zera em ±5. Como a = 1 > 0, o polinômio é positivo FORA das raízes (Princípio III):
S = ( −∞ , −5 ) ∪ ( 5 , +∞ )
Note que a desigualdade é estrita (>), então os pontos −5 e 5 NÃO entram: neles o logaritmando valeria zero, e log de zero não existe.
B.d O domínio de h e sua representação na reta [2,5]
O domínio é a interseção das duas condições. Desenhe as duas retas alinhadas, este item paga o desenho:
Figura 2: as duas condições e a interseção. Os pontos-chave são −5, 5, 6 e 7.
Cruzando pedaço por pedaço, que é como se justifica no quadro:
Pedaço da condição do logaritmando · Cruzado com x < 7 e x ≠ 6 · Sobra
(−∞, −5) · todo ele já satisfaz x < 7, e o 6 não está lá · (−∞, −5)
(5, +∞) · só até 7, e com o 6 furado · (5, 6) ∪ (6, 7)
D( h ) = ( −∞ , −5 ) ∪ ( 5 , 6 ) ∪ ( 6 , 7 )
Todos os extremos são abertos, e vale explicar por quê, um a um, é isso que fecha os 2,5 pontos:
Ponto · Por que está de fora
−5 · logaritmando valeria zero, e log 0 não existe
5 · mesmo motivo
6 · a base valeria 1, e base 1 é proibida
7 · a base valeria zero, e base 0 é proibida
O DETALHE QUE IMPRESSIONA
Repare que os quatro pontos excluídos saem por TRÊS motivos diferentes: dois por causa do logaritmando, um por causa da base igual a 1, e um por causa da base igual a zero.
Dizer isso em voz alta mostra que você entendeu as três condições, e não apenas decorou um procedimento.
B.e Resolva h(x) = 2 e verifique se x ∈ D(h) [1,5]
Aplicando a definição de logaritmo, o logaritmo vale 2 quando a base elevada a 2 dá o logaritmando:
log₍₇₋ₓ₎ ( x² − 25 ) = 2 ⇒ ( 7 − x )² = x² − 25
Desenvolvendo o quadrado da esquerda:
49 − 14x + x² = x² − 25
Os termos x² se cancelam dos dois lados, e é isso que faz a equação virar do 1º grau:
49 − 14x = −25 ⇒ −14x = −74 ⇒ x = 74/14 = 37/7 ≈ 5,286
Agora a verificação obrigatória. O domínio tem o pedaço (5, 6), e 5 < 5,286 < 6:
O que verificar · Conta · Resultado
x pertence a D(h)? · 5 < 37/7 < 6 · SIM
a base é válida? · 7 − 37/7 = 12/7 ≈ 1,71 > 0 e ≠ 1 · SIM
o logaritmando é positivo? · (37/7)² − 25 = 1369/49 − 1225/49 = 144/49 > 0 · SIM
a igualdade confere? · (12/7)² = 144/49 (confere) · SIM
x = 37/7 e 37/7 ∈ D( h )
B.f Mostre que h(x) = 0 tem duas soluções reais e confira ambas [1,5]
Um logaritmo vale zero quando o logaritmando vale 1, porque qualquer base elevada a zero dá 1 (seção A.8):
log₍₇₋ₓ₎ ( x² − 25 ) = 0 ⇒ x² − 25 = ( 7 − x )⁰ = 1
x² = 26 ⇒ x = ± √26 ≈ ± 5,099
São duas soluções reais, como o item pedia para mostrar. Agora a verificação, uma por vez:
Candidato · Valor aproximado · Em qual pedaço de D(h)? · Veredito
x = −√26 · ≈ −5,099 · está em (−∞, −5), pois −5,099 < −5 · ACEITO
x = +√26 · ≈ +5,099 · está em (5, 6), pois 5 < 5,099 < 6 · ACEITO
Figura 3: onde caem os valores dos itens (e), (f) e (g). Na ampliação vê-se que √26 e 37/7 estão dentro do pedaço (5, 6), mas por pouco.
As duas soluções pertencem ao domínio: x = −√26 e x = +√26
AQUI A APROXIMAÇÃO NÃO É LUXO, É NECESSÁRIA
√26 ≈ 5,099 está a nove centésimos do 5, que é o extremo excluído do domínio. Sem estimar o valor, você não tem como afirmar que ele está dentro.
Como estimar sem calculadora: 5² = 25 e 5,1² = 26,01. Como 26 está entre 25 e 26,01, então √26 está entre 5 e 5,1, e muito perto de 5,1. Isso basta.
Compare com o item (e): 37/7 ≈ 5,286, também dentro de (5, 6). Os dois itens caem no mesmo pedacinho estreito do domínio, e isso não é acaso, a questão foi montada assim.
B.g Calcule h(−8) usando mudança de base [2,0]
Primeiro, substitua x = −8 na função. E confira que −8 está no domínio: −8 < −5, então está no primeiro pedaço.
h(−8) = log₍₇₋₍₋₈₎₎ ( (−8)² − 25 ) = log₁₅ ( 64 − 25 ) = log₁₅ 39
Agora a mudança de base para ln, que é a base cujos valores o enunciado fornece:
log₁₅ 39 = ln 39 / ln 15
E aqui entram as propriedades operatórias: fatore 39 e 15 para usar os valores dados.
39 = 3 · 13 ⇒ ln 39 = ln 3 + ln 13 = 1,10 + 2,56 = 3,6615 = 3 · 5 ⇒ ln 15 = ln 3 + ln 5 = 1,10 + 1,60 = 2,70
h(−8) = 3,66/2,70 ≈ 1,36
POR QUE O ENUNCIADO DEU EXATAMENTE ln 3, ln 5 e ln 13
Porque 39 = 3 · 13 e 15 = 3 · 5. Os três valores fornecidos são precisamente os fatores primos de que você precisa, nem um a mais.
Isso é uma dica embutida: se você fatorar e sobrar um primo que o enunciado não deu, a fatoração está errada. Use isso como conferência.
Conferência de ordem de grandeza: 15¹ = 15 e 15² = 225. Como 39 está entre 15 e 225, log₁₅ 39 tem que estar entre 1 e 2. E 1,36 está. (confere)
PARTE C: O roteiro dos doze minutos
C.1 O que dizer, em ordem
Tempo · Itens · O que fazer no quadro
0, 1 min · abertura · Escreva h(x) e diga o plano: "o x aparece na base e no logaritmando, então preciso de três condições. Vou levantá-las nos itens (a) a (c), juntá-las no (d) e usar o domínio nos três últimos itens."
1, 3 min · a, b · As duas condições da base, com a justificativa de cada uma. Depois aplicá-las a 7 − x e obter (−∞,6) ∪ (6,7), explicando por que o 6 parte o intervalo.
3, 4,5 min · c · x² − 25 > 0 pelos princípios do 2º grau. Δ = 100, raízes ±5, a > 0, positivo fora.
4,5, 7 min · d · Desenhar as duas retas alinhadas, tomar a interseção e justificar os QUATRO extremos abertos, cada um pelo seu motivo. É o item mais caro, não corra.
7, 9 min · e, f · Aplicar a definição nas duas equações. Mostrar o cancelamento do x² no item (e). Estimar √26 ≈ 5,1 no item (f) e verificar os dois no domínio.
9, 12 min · g · Substituir x = −8, chegar a log₁₅ 39, mudar para ln, fatorar 39 e 15, somar e dividir. Fechar com a conferência de ordem de grandeza.
C.2 As frases que valem ponto
No item · Diga algo como
(a) · "A base tem que ser positiva porque o logaritmo é um expoente de uma potência dessa base, e base negativa não permite expoente fracionário. E não pode ser 1 porque 1 elevado a qualquer coisa dá 1, não haveria expoente que resolvesse."
(b) · "O ponto x = 6 não é o fim de um intervalo, é um furo no meio dele. Por isso a resposta tem dois pedaços em vez de um."
(c) · "Aqui a desigualdade é estrita, sem o igual, porque nenhuma potência de base positiva dá zero, então o logaritmando não pode valer zero."
(d) · "Os quatro extremos são abertos, mas por três motivos diferentes: o −5 e o 5 porque zerariam o logaritmando; o 6 porque a base valeria 1; o 7 porque a base valeria zero."
(e) · "Repare que os x² se cancelam. Uma equação que parecia do 2º grau vira do 1º, e por isso tem solução única."
(f) · "O logaritmo vale zero quando o logaritmando vale 1, porque qualquer base elevada a zero dá 1. Não preciso nem saber qual é a base."
(f) · "√26 está entre 5 e 5,1, porque 5² = 25 e 5,1² = 26,01. Logo está dentro do pedaço (5, 6) do domínio, apertado, mas dentro."
(g) · "O enunciado forneceu ln 3, ln 5 e ln 13 porque 39 = 3 · 13 e 15 = 3 · 5. Os valores dados são exatamente os fatores de que preciso."
C.3 Erros que custam ponto
Erro · Onde aparece · Como evitar
Usar ≥ em vez de > no logaritmando · itens c, d · Raiz aceita zero; logaritmo não aceita. Sempre estrito
Esquecer a condição base ≠ 1 · itens b, d · São TRÊS condições, não duas. É ela que cria o furo em x = 6
Esquecer que a base também precisa ser > 0 · itens b, d · É ela que fecha o domínio em 7
Não verificar as soluções no domínio · itens e, f · A prova pede expressamente. Logaritmo produz raiz estranha com facilidade
Inverter a mudança de base · item g · Logaritmando em cima, base embaixo. Confira com log₂ 8 = 3
Achar que log(M+N) = log M + log N · item g · Não existe propriedade para soma. Fatore em PRODUTO antes
Fazer a interseção de cabeça · item d · Desenhe as duas retas alinhadas. O item vale 2,5, vale o tempo
Não estimar o valor de √26 · item f · Sem a estimativa não dá para afirmar que está dentro de (5, 6)
PARTE D: Treino em seis graus
Mesma lógica do Módulo 2: faça na ordem, e se um grau travar volte ao anterior. Os exercícios marcados com [L] são da Lista do professor; os demais foram montados para preencher o degrau que faltava. Gabarito comentado no fim.
Grau 1, A definição, nos dois sentidos
Treina: transitar entre a forma logarítmica e a exponencial. É o degrau que torna todo o resto concreto. Não pule.
1.1 Reescreva na forma exponencial
(1) log₂ 8 = 3
(2) log₅ 25 = 2
(3) log₁₀ 0,001 = −3
(4) log1/2 8 = −3
1.2 Calcule, sem calculadora
(1) log₃ 81
(2) log₂ (1/16)
(3) log₇ 1
(4) log₅ 5
(5) log₄ 2
(6) log1/3 9
(7) log₁₀ 0,01
(8) log₂ √2
1.3 Determine x
(1) logx 16 = 2
(2) log₃ x = −2
(3) logx 27 = 3
(4) log₂ x = 5
Grau 2, Condições de existência
Treina: impor as três condições e escrever o resultado como intervalo. É o degrau direto para os itens (b), (c) e (d) da prova.
Determine para quais valores de x cada expressão está definida:
(1) log₂ ( x − 4 )
(2) log₍ₓ₋₁₎ 5
(3) logx ( x − 3 )
(4) log₍₅₋ₓ₎ ( x + 2 )
(5) log₍ₓ₋₂₎ ( 9 − x² )
(6) log₍₇₋ₓ₎ ( x² − 25 ), é a própria prova; faça por último e compare
Grau 3, Propriedades operatórias
Treina: quebrar um logaritmo em pedaços conhecidos. É o que o item (g) da prova exige.
[L 21] Expresse os seguintes logaritmos em função de ln 2, ln 3, ln 5 ou ln 7:
(1) ln 0,75
(2) ln 9,8
(3) ln 1225
(4) ln ∛2
(5) ln 0,056
(6) ln (4/9)
(7) ln (1/2)
(8) ln (1/125)
(9) ln √9
(10) ln ⁷√7
(11) ln √13,5
Grau 4, Mudança de base
Treina: a fórmula da mudança de base e o cancelamento que ela produz.
[L 25] Expresse cada quociente em termos do logaritmo natural:
(1) log₂ x / log₃ x
(2) log₂ x / log₈ x
(3) logx a / logx² a
(4) log₉ x / log₃ x
(5) log_√10 x / log_√2 x
(6) loga b / logb a
Grau 5, Equações exponenciais e logarítmicas
Treina: os métodos da seção A.12 e A.14, e o hábito de verificar no domínio.
[L 22] Resolva as equações:
(1) e7−4x = 6
(2) ln ( x² − 1 ) = 3
(3) 2x−5 = 3
(4) ln ( ln x ) = 1
(5) ln ( 3x − 10 ) = 2
(6) e2x − 3ex + 2 = 0
(7) ln x − ln ( x − 1 ) = 1
(8) 3x − 0,5 = 0
(9) 3 − 2−x = 0
E mais um, para treinar raiz estranha:
(10) log x + log ( x − 3 ) = 1 (base 10)
Grau 6, Domínios e nível de prova
Treina: juntar tudo. É o Problema 3 em versões menores.
[L 23] Determine o domínio de cada função:
(1) f(x) = ln ( x − 3 ) + 1
(2) f(x) = ( 1 − ex² ) / ( 1 − e1−x² )
(3) f(x) = √( 10x − 100 )
(4) f(x) = √( |x| − 1 ) / ( ex − 1 )
(5) g(x) = ln | 4 − x² |
(6) h(x) = ex + ln √x
E dois no formato exato da prova:
(1) F(x) = log₍ₓ₋₃₎ ( x² − 16 ). Determine D(F) e resolva F(x) = 0.
(2) G(x) = log₍₄₋ₓ₎ ( x² − 1 ). Determine D(G) e calcule G(−3), sabendo que ln 2 ≈ 0,69 e ln 7 ≈ 1,95.
Gabarito comentado dos seis graus
Grau 1, A definição
1.1 Forma exponencial
# · Logarítmica · Exponencial
1 · log₂ 8 = 3 · 2³ = 8
2 · log₅ 25 = 2 · 5² = 25
3 · log₁₀ 0,001 = −3 · 10⁻³ = 0,001
4 · log1/2 8 = −3 · (1/2)⁻³ = 8
1.2 Cálculos
# · Expressão · Reescrevo · Resposta
1 · log₃ 81 · 81 = 3⁴ · 4
2 · log₂ (1/16) · 1/16 = 2⁻⁴ · −4
3 · log₇ 1 · 1 = 7⁰ · 0
4 · log₅ 5 · 5 = 5¹ · 1
5 · log₄ 2 · 2 = 41/2 · 1/2
6 · log1/3 9 · 9 = (1/3)⁻² · −2
7 · log₁₀ 0,01 · 0,01 = 10⁻² · −2
8 · log₂ √2 · √2 = 21/2 · 1/2
1.3 Determinar x
# · Equação · Vira · Resposta
1 · logx 16 = 2 · x² = 16, com x > 0 e x ≠ 1 · x = 4
2 · log₃ x = −2 · x = 3⁻² · x = 1/9
3 · logx 27 = 3 · x³ = 27 · x = 3
4 · log₂ x = 5 · x = 2⁵ · x = 32
No item 1, x = −4 também resolveria x² = 16, mas está descartado: a base tem que ser positiva.
Grau 2, Condições de existência
# · Expressão · Condições · Domínio
1 · log₂ ( x − 4 ) · x − 4 > 0 · (4, +∞)
2 · log₍ₓ₋₁₎ 5 · x − 1 > 0 e x − 1 ≠ 1 · (1, 2) ∪ (2, +∞)
3 · logx ( x − 3 ) · x > 0, x ≠ 1, x − 3 > 0 · (3, +∞)
4 · log₍₅₋ₓ₎ ( x + 2 ) · 5 − x > 0, 5 − x ≠ 1, x + 2 > 0 · (−2, 4) ∪ (4, 5)
5 · log₍ₓ₋₂₎ ( 9 − x² ) · x > 2, x ≠ 3, −3 < x < 3 · (2, 3)
6 · log₍₇₋ₓ₎ ( x² − 25 ) · x < 7, x ≠ 6, x < −5 ou x > 5 · (−∞,−5) ∪ (5,6) ∪ (6,7)
OS DOIS QUE ENSINAM ALGO
(3), as três condições dão x > 0, x ≠ 1 e x > 3. A mais forte engole as outras: quem é maior que 3 já é maior que 0 e já é diferente de 1. Sobra só (3, +∞). Nem sempre todas as condições aparecem na resposta.
(5), aqui acontece o contrário do Problema 3: a base exige x > 2 e o logaritmando exige x < 3. A interseção é o intervalinho (2, 3), e o furo em x = 3 nem chega a ser necessário, porque o 3 já estava fora. Vale dizer isso: uma condição pode ser redundante.
Grau 3, Propriedades operatórias
# · Expressão · Reescrevo o número · Resposta
a · ln 0,75 · 0,75 = 3/4 · ln 3 − 2 ln 2
b · ln 9,8 · 9,8 = 49/5 · 2 ln 7 − ln 5
c · ln 1225 · 1225 = 35² = (5·7)² · 2 ln 5 + 2 ln 7
d · ln ∛2 · ∛2 = 21/3 · (1/3) ln 2
e · ln 0,056 · 0,056 = 7/125 · ln 7 − 3 ln 5
f · ln (4/9) · 4 = 2², 9 = 3² · 2 ln 2 − 2 ln 3
g · ln (1/2) · 1/2 = 2⁻¹ · − ln 2
h · ln (1/125) · 125 = 5³ · − 3 ln 5
i · ln √9 · √9 = 3 · ln 3
j · ln ⁷√7 · ⁷√7 = 71/7 · (1/7) ln 7
k · ln √13,5 · 13,5 = 27/2 · (1/2)(3 ln 3 − ln 2)
A ESTRATÉGIA, EM UMA FRASE
O trabalho não é com logaritmo, é com o NÚMERO. Reescreva-o como produto, quociente ou potência de números cujos logaritmos você tem. Só então aplique a propriedade.
O item (e) mostra bem: 0,056 = 56/1000 parece feio, mas 56/1000 = 7/125 = 7/5³, e aí sai na hora: ln 7 − 3 ln 5.
Grau 4, Mudança de base
# · Quociente · Em ln · Resposta
a · log₂ x / log₃ x · (ln x/ln 2) ÷ (ln x/ln 3) · ln 3 / ln 2
b · log₂ x / log₈ x · ln 8 / ln 2 = 3 ln 2 / ln 2 · 3
c · logx a / logx² a · ln x² / ln x = 2 ln x / ln x · 2
d · log₉ x / log₃ x · ln 3 / ln 9 = ln 3/2 ln 3 · 1/2
e · log_√10 x / log_√2 x · (½ ln 2) / (½ ln 10) · ln 2 / ln 10
f · loga b / logb a · (ln b/ln a) ÷ (ln a/ln b) · ( ln b )² / ( ln a )²
Repare no padrão: o ln x sempre cancela, e o que sobra depende só das bases. É por isso que quatro dos seis itens dão um número puro, sem x nenhum.
Grau 5, Equações
# · Equação · Método · Solução
a · e7−4x = 6 · ln nos dois lados · x = (7 − ln 6)/4
b · ln(x² − 1) = 3 · definição: x² − 1 = e³ · x = ± √(e³ + 1)
c · 2x−5 = 3 · ln nos dois lados · x = 5 + ln 3 / ln 2
d · ln(ln x) = 1 · duas vezes a definição · x = ee
e · ln(3x − 10) = 2 · definição: 3x − 10 = e² · x = (e^2 + 10)/3
f · e2x − 3ex + 2 = 0 · substituir u = ex · x = 0 e x = ln 2
g · ln x − ln(x−1) = 1 · juntar em quociente · x = e/(e − 1) ≈ 1,58
h · 3x − 0,5 = 0 · 3x = 1/2 · x = − ln 2 / ln 3
i · 3 − 2−x = 0 · 2−x = 3 · x = − ln 3 / ln 2
10 · log x + log(x−3) = 1 · juntar em produto · x = 5 apenas
OS TRÊS QUE ENSINAM ALGO
(b), as DUAS soluções valem. A condição era x² − 1 > 0, e como x² − 1 = e³ ≈ 20,1 é positivo, tanto +√(e³+1) quanto −√(e³+1) satisfazem. Nem toda raiz negativa é estranha.
(f), substituindo u = ex, vem u² − 3u + 2 = 0, com raízes u = 1 e u = 2. As duas são positivas, e portanto as duas servem: ex = 1 dá x = 0; ex = 2 dá x = ln 2. Se alguma raiz em u fosse negativa, teria de ser descartada, porque ex é sempre positivo.
(10), a equação transformada dá x = 5 e x = −2, mas log(−2) não existe. Só x = 5 sobrevive. É a raiz estranha da seção A.13, e é por isso que a verificação é obrigatória.
Grau 6, Domínios e nível de prova
# · Função · Condição · Domínio
a · ln(x − 3) + 1 · x − 3 > 0 · (3, +∞)
b · (1 − ex²)/(1 − e1−x²) · e1−x² ≠ 1 ⇒ 1 − x² ≠ 0 · ℝ − {−1, 1}
c · √(10x − 100) · 10x ≥ 10² ⇒ x ≥ 2 · [2, +∞)
d · √(|x| − 1)/(ex − 1) · |x| ≥ 1 e x ≠ 0 · (−∞, −1] ∪ [1, +∞)
e · ln |4 − x²| · |4 − x²| > 0 ⇒ x ≠ ±2 · ℝ − {−2, 2}
f · ex + ln √x · √x > 0 ⇒ x > 0 · (0, +∞)
Comentários:
(b), a exponencial nunca zera, então o único risco é o denominador valer 1 − 1 = 0. E eu = 1 exatamente quando u = 0. Daí 1 − x² = 0.
(c), a raiz exige 10x − 100 ≥ 0, isto é, 10x ≥ 10². Como a exponencial de base 10 é crescente, isso equivale a x ≥ 2. Note que aqui vale o igual, porque é raiz e não logaritmo.
(e), o módulo salva: |4 − x²| é positivo em toda parte, exceto onde 4 − x² = 0. Sem o módulo, o domínio seria só (−2, 2).
(f), cuidado com a ordem: √x pede x ≥ 0, mas o ln pede √x > 0. A condição mais forte manda, e sobra x > 0.
Exercício 7: F(x) = log₍ₓ₋₃₎ ( x² − 16 )
Condições: base x − 3 > 0 ⇒ x > 3; base x − 3 ≠ 1 ⇒ x ≠ 4; logaritmando x² − 16 > 0 ⇒ x < −4 ou x > 4.
Cruzando: x > 3 com (x < −4 ou x > 4) sobra x > 4. E o furo em x = 4 já está fora.
D( F ) = ( 4 , +∞ )
E F(x) = 0 ⇒ x² − 16 = 1 ⇒ x² = 17 ⇒ x = ± √17 ≈ ± 4,123. Verificando: +√17 ≈ 4,12 está em (4, +∞) (confere); −√17 ≈ −4,12 não está ✗. Solução única: x = √17.
Exercício 8: G(x) = log₍₄₋ₓ₎ ( x² − 1 )
Condições: 4 − x > 0 ⇒ x < 4; 4 − x ≠ 1 ⇒ x ≠ 3; x² − 1 > 0 ⇒ x < −1 ou x > 1.
Cruzando: (−∞, −1) fica inteiro, porque tudo lá é menor que 4 e o 3 não está lá. E (1, +∞) cortado em 4 e furado em 3 vira (1, 3) ∪ (3, 4).
D( G ) = ( −∞ , −1 ) ∪ ( 1 , 3 ) ∪ ( 3 , 4 )
E G(−3): primeiro, −3 < −1, então está no domínio. Substituindo:
G(−3) = log₍₄₊₃₎ ( 9 − 1 ) = log₇ 8 = ln 8 / ln 7 = 3 ln 2 / ln 7 ≈ 3 · 0,69/1,95 = 2,07/1,95 ≈ 1,06
Conferência de ordem de grandeza: 7¹ = 7 e 7² = 49. Como 8 está entre 7 e 49, log₇ 8 tem que estar entre 1 e 2, e está muito perto de 1, porque 8 está muito perto de 7. (confere)
ESTE EXERCÍCIO É O PROBLEMA 3 COMPLETO, EM MINIATURA
Três condições, um furo, domínio em três pedaços, e um valor calculado por mudança de base com fatoração. Se este sair sem consulta, o Problema 3 está dominado.
Apêndice: O mapa da sua biblioteca
Com a coleção Iezzi que você acabou de juntar, a pasta ficou completa. Este é o mapa: onde ler cada assunto, e o que NÃO precisa ser lido agora.
Para a P1, por módulo
Módulo / assunto · Onde ler · Capítulo
1, conjuntos, intervalos, inequações · FME-1 (Iezzi) · cap. II Conjuntos (p.18) e III Conjuntos numéricos (p.40)
1, inequações do 2º grau · FME-1 · cap. VII Funções quadráticas (p.137)
2, funções, domínio, composição · FME-1 · cap. V Introdução às funções (p.79) e X Composta e inversa (p.212)
2, função modular (aparece na Lista) · FME-1 · cap. VIII Função modular (p.184)
3, potências e função exponencial · FME-2 (Iezzi) · cap. I Potências e raízes (p.1) e II Função exponencial (p.27)
3, logaritmos e mudança de base · FME-2 · cap. III Logaritmos (p.57); mudança de base na seção VI (p.72)
3, equações e inequações log/exp · FME-2 · cap. V (p.88) e VI (p.112)
4, função logarítmica e gráficos · FME-2 · cap. IV Função logarítmica (p.80)
5, trigonometria · FME-3 (Iezzi) · cap. V Relações fundamentais (p.61), VIII Funções circulares (p.86)
5, identidades e funções inversas · FME-3 · cap. X Identidades (p.147) e XIII Funções circulares inversas (p.197)
QUAL LIVRO ABRIR PARA QUÊ
Iezzi (FME), explicação de ensino médio, passo a passo, com muitos exercícios de dificuldade crescente. É o melhor lugar para aprender do zero, e é a bibliografia complementar nº 2 do Plano de Ensino.
Pré-Cálculo (Valéria Medeiros), bibliografia BÁSICA nº 4. Ponte entre o ensino médio e o cálculo, mais enxuto que o Iezzi.
Stewart e Thomas, bibliografia básica nº 1 e 2. Linguagem de universidade; melhores depois que o conceito já está entendido, e indispensáveis a partir da Etapa 2.
Flemming (Diva Marília), bibliografia básica nº 3. Bom meio-termo, com o capítulo 1 sobre números reais bem didático.
Fora da P1, mas guarde
Volume · Assunto · Quando serve
FME-6 · Complexos, polinômios e equações · complementa o texto de polinômios do professor; Briot-Ruffini reaparece na Etapa 2
FME-7 · Geometria analítica · é a sua outra disciplina com o mesmo professor, às sextas
FME-8 · Limites, derivadas e noções de integral · Etapas 2 e 3 desta disciplina, é o Cálculo propriamente dito
FME-4, 5, 9, 10, 11 · sequências, combinatória, geometria plana e espacial, matemática financeira · não entram em Cálculo 1. Podem servir em outras disciplinas do curso
UM AVISO SOBRE TEMPO
Você tem quatro livros que cobrem o mesmo assunto e pouco mais de um mês até a prova. Ler todos é a forma mais eficiente de não terminar nenhum.
Sugestão: use este guia como espinha dorsal e abra o Iezzi apenas quando um ponto específico não fechar. Os exercícios que importam são os da Lista do professor, as cinco questões da prova saem dela.
Autor: Ulysses Cesar
© 2026 Ulysses Cesar. Todos os direitos reservados. Reprodução, distribuição ou venda proibidas sem autorização escrita do autor (Lei 9.610/1998).
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- Cálculo 1, módulo 1: conjuntos, sinais e intervalos Conjuntos, sinais e intervalos do zero, com o Problema 1 da P1 resolvido item por item e o roteiro dos 12 minutos. Gratuito
- Cálculo 1, módulo 4: exponencial, simetria e gráficos Função exponencial, simetria e gráficos, com o Problema 4 da P1 resolvido e a demonstração que ele pede. Gratuito