Cálculo 1: resoluções da lista, volume 1
Problemas 1 a 13 da lista resolvidos passo a passo: conjuntos, inequações, domínios e funções.
Objetivo
Treinar a repetição que deixa a mão rápida, com o método e os passos, não só a resposta.
Calculo 1 resolucoes da lista volume 1
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Objetivo
O material inteiro, para ler aqui ou ouvir com o leitor do navegador. As fórmulas aparecem em linha, como (x − 1)/(x − 2); no PDF elas estão montadas.
LISTA DE EXERCÍCIOS DA P1, CÁLCULO DIFERENCIAL 1
Caderno de resoluções · Volume 1
Conjuntos, inequações, domínios e funções
Problemas 1 a 13, resolvidos passo a passo
Guia da P1 · Autor: Ulysses Cesar · Curso de Engenharia Civil
O QUE É ESTE CADERNO
A Lista de Exercícios para a P1 de Cálculo 1 tem 25 problemas e nenhum gabarito. Este caderno resolve todos, com o método e os passos, não só a resposta.
Volume 1 (este): problemas 1 a 13, conjuntos, intervalos, inequações, domínios, funções definidas por partes, paridade e composição.
Volume 2: problemas 14 a 25, trigonometria, funções inversas, identidades, exponencial e logaritmo.
As resoluções foram conferidas com álgebra simbólica, item por item.
COMO ISTO SE ENCAIXA NO QUE VOCÊ JÁ TEM
Você já tem, na mesma pasta, a série Guia da P1, Cálculo 1, com cinco módulos, um para cada problema da prova, e cada questão da P1 resolvida item por item.
Este caderno é o complemento: é o treino. O Guia explica a teoria e resolve a prova; a Lista dá o volume de repetição que faz a mão ficar rápida.
Correspondência entre os dois:
Problemas 1 a 5 desta lista → Guia, Módulo 1 (conjuntos, sinais, intervalos) e Módulo 2 (domínios).
Problemas 6 a 13 → Módulo 2 (composição) e Módulo 4 (paridade e gráficos).
Problemas 14 a 17 → Módulo 5 (trigonometria e inversas).
Problemas 18 a 25 → Módulos 3 e 4 (logaritmo e exponencial).
COMO LER OS SÍMBOLOS DESTE MÓDULO
Nenhum símbolo aqui é decoração: cada um substitui uma frase inteira. Se travar na leitura de uma equação, volte a esta tabela.
Símbolo · Lê-se · O que é
∞ · infinito · não é número: indica que o intervalo não tem fim daquele lado.
ℝ · erre, conjunto dos reais · todos os números da reta: inteiros, frações e irracionais.
√ · raiz quadrada · pergunta qual número, multiplicado por ele mesmo, dá o que está sob o traço.
· · vezes · multiplicação. Usa-se o ponto para não confundir com a letra x.
± · mais ou menos · as duas contas valem: uma com +, outra com −.
≤ · menor ou igual a · inclui o próprio valor.
≥ · maior ou igual a · inclui o próprio valor.
≠ · diferente de · não é igual.
⟹ · implica · se o lado esquerdo vale, então o direito também vale.
| · módulo, ou norma, escreve-se |v| · |v| é o comprimento do vetor v; |x| é a distância de x até zero. Nunca é negativo.
∈ · pertence a · o elemento está dentro do conjunto.
∪ · união · junta tudo o que está em qualquer um dos dois conjuntos.
∩ · interseção · só o que está nos dois ao mesmo tempo.
∅ · conjunto vazio · não tem nenhum elemento.
∎ · fim da demonstração · marca o ponto em que a prova terminou.
sen · seno · num triângulo retângulo, cateto oposto dividido pela hipotenusa.
tg · tangente · seno dividido por cosseno.
² (expoente 2) · ao quadrado · o número multiplicado por ele mesmo. x² é x·x.
³ (expoente 3) · ao cubo · o número multiplicado por ele mesmo três vezes.
∘ (composta) · bola · (g ∘ f)(x) significa g(f(x)): aplica-se f primeiro, depois g.
PROBLEMA 1, TRADUZIR INTERVALO EM NOTAÇÃO DE CONJUNTO
Use a notação de conjuntos para reescrever os intervalos abaixo.
A REGRA DO COLCHETE
Colchete [ ] inclui a extremidade, e vira ≤ ou ≥.
Parêntese ( ) exclui a extremidade, e vira < ou >.
O infinito nunca leva colchete, porque não é um número: não há o que incluir.
Intervalo · Notação de conjunto
(a) A = [5, 11] · { x ∈ ℝ : 5 ≤ x ≤ 11 }
(b) B = (−7, 3] · { x ∈ ℝ : −7 < x ≤ 3 }
(c) C = (−8, 0) · { x ∈ ℝ : −8 < x < 0 }
(d) D = [2, +∞) · { x ∈ ℝ : x ≥ 2 }
(e) E = (−∞, 5) · { x ∈ ℝ : x < 5 }
(f) F = [−2, 3) · { x ∈ ℝ : −2 ≤ x < 3 }
(g) G = (−∞, 9] · { x ∈ ℝ : x ≤ 9 }
PROBLEMA 2, OPERAÇÕES ENTRE CONJUNTOS
Considere A = [1, 5], B = [3, 9), C = {5, 1} e D = [5, +∞).
Método. Desenhe os quatro na mesma reta numérica antes de operar. C é um conjunto de dois pontos isolados, não um intervalo, é isso que os itens (c) a (g) exploram.
Item · Operação · Raciocínio · Resposta
(a) · A ∪ B · de 1 até 9, sem o 9 · [1, 9)
(b) · A ∩ B · onde os dois coexistem: de 3 a 5 · [3, 5]
(c) · A − C · tira os pontos 1 e 5 de [1,5] · (1, 5)
(d) · B ∩ C · dos dois pontos de C, só o 5 está em [3,9) · {5}
(e) · C − B · o que sobra de C fora de B: o 1 · {1}
(f) · B − C · [3,9) sem o ponto 5 · [3, 5) ∪ (5, 9)
(g) · B − (B − C) · é B ∩ C · {5}
(h) · A ∪ D · [1,5] com [5,+∞) emenda no 5 · [1, +∞)
(i) · C ∩ D · dos dois pontos, só o 5 é ≥ 5 · {5}
(j) · C ∩ ∅ · nada intersecta o vazio · ∅
(k) · A ∪ ∅ · o vazio não acrescenta nada · [1, 5]
(l) · A ∪ B ∪ C ∪ D · [1,9) ∪ [5,+∞) · [1, +∞)
O ITEM (G) É UMA PEGADINHA COM NOME
B − (B − C) parece complicado, mas vale sempre a identidade B − (B − C) = B ∩ C. Tirar de B tudo o que não está em C deixa exatamente o que está nos dois.
Vale a pena reconhecer o padrão: ele economiza a conta.
PROBLEMA 3, UNIÃO E INTERSEÇÃO A PARTIR DE CONDIÇÕES
Determine A ∪ B e A ∩ B nos casos a seguir, utilizando intervalos.
Método. Primeiro traduza cada condição num intervalo; só então una ou intersecte.
(a) A = {x : x − 4 ≤ 0} e B = {x : x − 4 ≥ 0}
A =(−∞, 4] B = [4, +∞)
Os dois cobrem toda a reta e se tocam apenas no 4.
A ∪ B = ℝ e A ∩ B = {4}.
(b) A = {x : x > 2} e B = {x : x < −3}
A =(2, +∞)B =(−∞, −3)
Não há nenhum número que seja simultaneamente maior que 2 e menor que −3.
A ∪ B = (−∞, −3) ∪ (2, +∞) e A ∩ B = ∅.
(c) A = {x : x² < 4} e B = {x : x > −1}
Resolvendo x² < 4: como x² − 4 < 0, as raízes são ±2 e a parábola é negativa entre elas.
A =(−2, 2)B =(−1, +∞)
A ∪ B = (−2, +∞) e A ∩ B = (−1, 2).
PROBLEMA 4, INEQUAÇÕES
OS TRÊS PRINCÍPIOS QUE RESOLVEM TODAS
1. Nunca multiplique cruzado numa inequação com incógnita no denominador. O sinal do denominador é desconhecido, e multiplicar por número negativo inverte a desigualdade. Passe tudo para um lado e reduza a um único quociente.
2. Fatore e estude o sinal de cada fator na reta, multiplicando os sinais coluna a coluna.
3. Raiz de fator no denominador nunca entra na solução, nem quando a desigualdade é ≤ ou ≥, porque ali a expressão não existe.
(a) (2x − 1)(x + 3) < 0
Raízes: x = 1/2 e x = −3. Produto de dois fatores de 1º grau é negativo entre as raízes.
Resposta: (−3, 1/2).
(b) (2x + 1)(x² − 1) < 0
Fatore o segundo: x² − 1 = (x−1)(x+1). Raízes: −1, −1/2, 1.
Quadro de sinais, testando um ponto em cada faixa:
Faixa · (2x+1) · (x−1) · (x+1) · Produto
x < −1 · − · − · − · −
−1 < x < −1/2 · − · − · + · +
−1/2 < x < 1 · + · − · + · −
x > 1 · + · + · + · +
Resposta: (−∞, −1) ∪ (−1/2, 1).
(c) x² + 1 > 3x − x² − 3
Passe tudo para a esquerda:
2x^2 − 3x + 4 > 0
Discriminante: 9 − 32 = −23 < 0. Sem raízes reais, e como o coeficiente de x² é positivo, a parábola está inteiramente acima do eixo.
Resposta: ℝ.
(d) x(x² + 3) ≥ 0
O fator x² + 3 é sempre positivo (mínimo 3). Logo o sinal do produto é o sinal de x.
Resposta: [0, +∞).
(e) x(x − 2)(2x + 3) ≤ 0
Raízes: −3/2, 0, 2. Três fatores de 1º grau; o produto alterna de sinal a cada raiz e é positivo à direita de tudo.
Resposta: (−∞, −3/2] ∪ [0, 2].
(f) (x² − 4)(x² − 3x + 2) ≤ 0
Fatore os dois: (x−2)(x+2) · (x−1)(x−2) = (x−2)²(x+2)(x−1).
O fator (x−2)² é sempre ≥ 0 e não muda o sinal, só zera em x = 2. Então o sinal é o de (x+2)(x−1), que é negativo entre −2 e 1.
Resposta: [−2, 1] ∪ {2}.
O PONTO ISOLADO
O x = 2 entra sozinho na resposta porque anula a expressão, e a desigualdade é ≤. Esquecê-lo é o erro mais comum deste item. Fator ao quadrado sempre gera esse tipo de ponto isolado.
(g) 3x(x+4)²/(x−2)² < 0
Os dois quadrados, (x+4)² e (x−2)², são positivos onde não se anulam, logo o sinal é o de 3x, isto é, o sinal de x. Mas é preciso excluir x = −4 (anula o numerador, dando 0, que não é < 0) e x = 2 (anula o denominador).
Resposta: (−∞, −4) ∪ (−4, 0).
(h) (x−1)/(x−2) > 0
Quociente positivo quando numerador e denominador têm o mesmo sinal. Raízes: 1 e 2.
Resposta: (−∞, 1) ∪ (2, +∞).
(i) (2 − 3x)/(x + 2) > 0
Raízes: 2/3 (numerador) e −2 (denominador, excluído). O numerador é decrescente (coeficiente −3), então o quociente é positivo entre as raízes.
Resposta: (−2, 2/3).
(j) (x^2 − 9)/(x + 1) ≥ 0
Fatore: (x−3)(x+3)/(x+1). Raízes: −3, −1 (excluída), 3.
Faixa · (x−3) · (x+3) · (x+1) · Quociente
x < −3 · − · − · − · −
−3 < x < −1 · − · + · − · +
−1 < x < 3 · − · + · + · −
x > 3 · + · + · + · +
Incluem-se −3 e 3 (anulam o numerador); exclui-se −1.
Resposta: [−3, −1) ∪ [3, +∞).
(k) (2x − 1)/(x − 3) > 7
Não multiplique cruzado. Passe o 7 para a esquerda e reduza a um quociente:
(2x−1)/(x−3)− 7 > 0 ⟹ [2x − 1 − 7(x−3)]/(x−3)> 0
(2x − 1 − 7x + 21)/(x−3)=(−5x + 20)/(x−3)> 0
Raízes: 4 (numerador) e 3 (excluída). Numerador decrescente, então positivo entre as raízes.
Resposta: (3, 4).
(l) x/(2x − 3) ≤ 3
x/(2x−3)− 3 ≤ 0 ⟹ [x − 3(2x−3)]/(2x−3)≤ 0 ⟹(−5x + 9)/(2x−3)≤ 0
Raízes: 9/5 (numerador, incluída) e 3/2 (denominador, excluída).
Faixa · (−5x+9) · (2x−3) · Quociente
x < 3/2 · + · − · −
3/2 < x < 9/5 · + · + · +
x > 9/5 · − · + · −
Resposta: (−∞, 3/2) ∪ [9/5, +∞).
(m) (x − 3)/(x^2 + 1) < 5
O denominador x² + 1 é sempre positivo, então aqui, e só aqui, pode-se multiplicar sem medo:
x − 3 < 5x^2 + 5 ⟹ 5x^2 − x + 8 > 0
Discriminante: 1 − 160 = −159 < 0, com coeficiente principal positivo: sempre positivo.
Resposta: ℝ.
(n) (9x − 6)/(x + 2) > 6
(9x−6)/(x+2)− 6 > 0 ⟹ [9x − 6 − 6(x+2)]/(x+2)> 0 ⟹(3x − 18)/(x+2)> 0
Raízes: 6 e −2 (excluída). Ambos os fatores crescentes ⟹ quociente positivo fora do intervalo entre as raízes.
Resposta: (−∞, −2) ∪ (6, +∞).
PROBLEMA 5, DOMÍNIOS
AS TRÊS PROIBIÇÕES
Todo domínio sai de combinar estas três, e nada mais:
1. Denominador ≠ 0.
2. Radicando de raiz de índice par ≥ 0. (Raiz de índice ímpar não restringe nada.)
3. Argumento de logaritmo > 0.
Quando há mais de uma, o domínio é a interseção das condições.
(a) f(x) = (x + 2)/(x^2 − 1)
Denominador zero em x = ±1.
D(f) = ℝ − {−1, 1}.
(b) f(x) = (3x + 4)/(x^2 − x − 2)
x² − x − 2 = (x − 2)(x + 1), que zera em 2 e −1.
D(f) = ℝ − {−1, 2}.
(c) f(x) = x/√(|x| − 1)
A raiz é par e está no denominador: exige-se |x| − 1 > 0 (estritamente), isto é |x| > 1.
D(f) = (−∞, −1) ∪ (1, +∞).
(d) g(x) = |x² − 1| / ∛(x + 1)
A raiz é de índice ímpar: não restringe. Mas está no denominador, e não pode ser zero: x + 1 ≠ 0.
D(g) = ℝ − {−1}.
(e) g(x) = √(4 − x) + √(x² − 1)
Duas condições, ambas obrigatórias:
4 − x ≥ 0 ⟹ x ≤ 4 e x^2 − 1 ≥ 0 ⟹ x ≤ −1 ou x ≥ 1
Intersectando: (−∞, −1] ∩ (−∞,4] = (−∞,−1]; e [1,+∞) ∩ (−∞,4] = [1,4].
D(g) = (−∞, −1] ∪ [1, 4].
(f) h(x) = √(1 − √(1 − x²))
Duas raízes encaixadas, resolva de dentro para fora.
Interna: 1 − x² ≥ 0 ⟹ −1 ≤ x ≤ 1.
Externa: 1 − √(1 − x²) ≥ 0 ⟹ √(1 − x²) ≤ 1 ⟹ 1 − x² ≤ 1 ⟹ x² ≥ 0, sempre verdadeiro.
A externa não acrescenta restrição.
D(h) = [−1, 1].
(g) h(x) = 1/(x^2 − 2x − 1)
Denominador zero: x² − 2x − 1 = 0, discriminante 4 + 4 = 8, raízes x = 1 ± √2.
D(h) = ℝ − {1 − √2, 1 + √2}.
(h) g(x) = (x + 3)/(4 − √(x² − 9))
Duas condições:
Radicando ≥ 0: x² − 9 ≥ 0 ⟹ x ≤ −3 ou x ≥ 3.
Denominador ≠ 0: √(x² − 9) ≠ 4 ⟹ x² − 9 ≠ 16 ⟹ x ≠ ±5.
D(g) = (−∞, −3] ∪ [3, +∞), excluídos −5 e 5.
(i) h(x) = √[(x − 1)/(x^2 − 6x + 8)]
Raiz par de um quociente: exige-se o quociente ≥ 0, e o denominador ≠ 0.
Fatorando: x² − 6x + 8 = (x − 2)(x − 4).
Faixa · (x−1) · (x−2) · (x−4) · Quociente
x < 1 · − · − · − · −
1 < x < 2 · + · − · − · +
2 < x < 4 · + · + · − · −
x > 4 · + · + · + · +
Inclui-se x = 1 (anula o numerador); excluem-se 2 e 4.
D(h) = [1, 2) ∪ (4, +∞).
PROBLEMA 6, FUNÇÃO COM DOIS MÓDULOS
Seja g(x) = |x − 1| + |x − 2|. Mostre que g é dada por três sentenças e esboce o gráfico.
Método. Cada módulo troca de expressão no seu ponto de anulamento. Aqui há dois pontos críticos, 1 e 2, que dividem a reta em três faixas. Monte a tabela.
Faixa · |x − 1| vale · |x − 2| vale · Soma
x ≤ 1 · 1 − x · 2 − x · 3 − 2x
1 < x < 2 · x − 1 · 2 − x · 1
x ≥ 2 · x − 1 · x − 2 · 2x − 3
Logo:
g(x)= 3 − 2x se x ≤ 1 ; 1 se 1 < x < 2 ; 2x − 3 se x ≥ 2 ∎ fim da demonstração
O gráfico. Uma reta descendente de inclinação −2 até o ponto (1, 1); depois um patamar horizontal na altura 1, de x = 1 a x = 2; depois uma reta ascendente de inclinação +2 a partir de (2, 1). O desenho lembra uma banheira, e é contínuo, nos dois pontos de emenda o valor é 1 pelos dois lados.
A LEITURA GEOMÉTRICA
|x − 1| é a distância de x até 1, e |x − 2| é a distância de x até 2. Então g(x) é a soma das distâncias de x aos pontos 1 e 2.
Para x entre 1 e 2, essa soma é sempre o comprimento do próprio segmento, ou seja 1, daí o patamar. Fora do segmento, cada passo para longe soma 2 (um em cada distância), daí as inclinações ±2.
Entender isso responde o "esboce o gráfico" sem plotar ponto nenhum.
PROBLEMA 7, CRESCIMENTO E DECRESCIMENTO
Determine os intervalos de crescimento ou decrescimento de f(x) = x + 1 (x ≤ 0); 2 (0 < x ≤ 1); (x−1)² + 2 (x ≥ 1).
Método. Analise cada sentença no seu próprio intervalo.
Trecho · Expressão · Comportamento
x ≤ 0 · reta de inclinação +1 · crescente
0 < x ≤ 1 · constante igual a 2 · constante
x ≥ 1 · parábola de vértice em (1, 2), boca para cima · crescente (está no ramo direito do vértice)
Resposta: f é crescente em (−∞, 0] e em [1, +∞); é constante em (0, 1]. Não decresce em nenhum intervalo.
Observação: em x = 0 há um salto, pela esquerda f tende a 1, e logo depois vale 2. A função não é contínua ali, mas isso não afeta a classificação por intervalos. Em x = 1 não há salto: os dois trechos valem 2.
PROBLEMA 8, PARIDADE PELA EXPRESSÃO
O TESTE, EM UMA LINHA
Substitua x por −x e compare:
f(−x) = f(x) → par (gráfico simétrico em relação ao eixo y)
f(−x) = −f(x) → ímpar (gráfico simétrico em relação à origem)
nenhum dos dois → nem par nem ímpar
Detalhe que derruba gente: o domínio precisa ser simétrico. Se −x não estiver no domínio sempre que x estiver, a função não pode ser par nem ímpar.
Item · f(x) · f(−x) · Classificação
(a) · 10 − x² · 10 − x² · par
(b) · x³ − 2∛x · −x³ + 2∛x = −f(x) · ímpar
(c) · √(x⁴ − x² + 4) · mesmo (só potências pares) · par
(d) · |x| + 4 · |x| + 4 · par
(e) · |x + 4| · |−x + 4| ≠ ± f(x) · nem par nem ímpar
(f) · x⁴ − 2x² + 4 · idêntico · par
(g) · −5x⁴ + 7x² − 2 · idêntico · par
(h) · x√(x² − 1) · −x√(x² − 1) = −f(x) · ímpar
(i) · 1/(x^2 − 1) · idêntico · par
(j) · 3x/(x^2 + 1) · −3x/(x^2 + 1) = −f(x) · ímpar
(k) · 1/(x^2 − 2x − 1) · 1/(x^2 + 2x − 1) ≠ ± f(x) · nem par nem ímpar
O ATALHO QUE VALE PARA POLINÔMIOS
Um polinômio é par quando só tem expoentes pares (contando a constante como x⁰), e ímpar quando só tem expoentes ímpares. Se misturar os dois tipos, não é nem um nem outro.
Foi assim que os itens (a), (f) e (g) saíram sem conta, os três são polinômios só com expoentes pares.
O item (b) também sai de graça, embora não seja polinômio: x³ e ∛x = x1/3 são ambos "ímpares" no sentido de que trocar o sinal de x troca o sinal do resultado.
E os itens (i) e (j), que são frações, saem por uma extensão da mesma ideia: numa fração, par ÷ par = par e ímpar ÷ par = ímpar. Em (i), 1 e x² − 1 são ambos pares, logo o quociente é par. Em (j), 3x é ímpar e x² + 1 é par, logo o quociente é ímpar. É a mesma regra de sinais da multiplicação, aplicada à divisão.
PROBLEMA 9, PARIDADE PELO GRÁFICO
A partir do gráfico, classifique cada função em par, ímpar, ou nem par nem ímpar.
Método. Olhe apenas a simetria:
espelho no eixo y → par;
giro de 180° em torno da origem → ímpar;
nenhuma das duas → nem par nem ímpar.
Item · O que o gráfico mostra · Classificação
(a) · parábola com vértice na origem, simétrica em relação ao eixo y · par
(b) · onda tipo seno, passando pela origem, vale de um lado e crista do outro · ímpar
(c) · curva exponencial, assíntota horizontal à esquerda, crescente · nem par nem ímpar
(d) · hipérbole tipo 1/x, ramos em quadrantes opostos · ímpar
(e) · curva com máximo local à esquerda e subida acentuada à direita, sem espelho nem giro · nem par nem ímpar
(f) · quártica em W, com os dois mínimos simétricos em relação ao eixo y · par
(g) · parábola com vértice deslocado, em (2, 1) · nem par nem ímpar
(h) · onda tipo cosseno, com crista sobre o eixo y · par
(i) · reta pela origem · ímpar
O ITEM (G) É O QUE MAIS ENGANA
A parábola tem simetria, mas em relação à reta vertical x = 2, e não ao eixo y. Paridade só reconhece simetria em relação ao eixo y (par) ou à origem (ímpar). Simetria em relação a outro eixo não conta.
PROBLEMA 10, ACHAR O PARÂMETRO PELA COMPOSTA
f(x) = 2x + b, g(x) = x². Conhecendo (g ∘ f)(x) = 4x² − 12x + 9, determine b.
Método. Monte a composta em função de b e compare os coeficientes.
(g ∘ f)(x)= g(f(x))=(2x + b)^2 = 4x^2 + 4bx + b^2
Comparando com 4x² − 12x + 9, termo a termo:
Termo · Da composta · Dado · Equação
x² · 4 · 4 · (confere) automático
x · 4b · −12 · b = −3
constante · b² · 9 · b = ±3
O valor que satisfaz as duas equações é b = −3.
Resposta: b = −3.
Confira: (2x − 3)² = 4x² − 12x + 9 (confere)
PROBLEMA 11, COMPOSTAS DE TRÊS FUNÇÕES
Encontre a fórmula para f ∘ g ∘ h.
A ORDEM DE DENTRO PARA FORA
f ∘ g ∘ h significa f(g(h(x))): aplica-se h primeiro, depois g, e f por último, o contrário da ordem de leitura.
Faça em duas etapas: primeiro calcule g(h(x)); depois jogue o resultado em f. Tentar fazer tudo de uma vez é onde se erra.
(a) f(x) = x + 1, g(x) = 3x, h(x) = 4 − x
g(h(x))= 3(4 − x)= 12 − 3x f(12 − 3x)= 12 − 3x + 1 = 13 − 3x
(b) f(x) = 3x + 4, g(x) = 2x − 1, h(x) = x²
g(x^2)= 2x^2 − 1 f(2x^2 − 1)= 3(2x^2 − 1)+ 4 = 6x^2 + 1
(c) f(x) = 3x − 2, g(x) = sen x, h(x) = x²
g(x^2)= sen(x^2)f = 3·sen(x^2)− 2
(d) f(x) = √(x + 1), g(x) = 1/(x + 4), h(x) = 1/x
g(1/x)= 1/(1/x + 4)= x/(1 + 4x)
f = √(x/(1+4x)+ 1)= √((x + 1 + 4x)/(1+4x))= √((5x + 1)/(4x + 1))
(e) f(x) = (x+2)/(3−x), g(x) = x^2/(x^2+1), h(x) = √(2 − x)
g(√(2−x))=(2−x)/((2−x)+1)=(2−x)/(3−x)
Agora f desse resultado. Chamando t = (2−x)/(3−x):
f(t)=(t + 2)/(3 − t)= [(2−x)/(3−x)+ 2 ]/[ 3 −(2−x)/(3−x)]
Multiplicando numerador e denominador por (3 − x):
= [(2−x)+ 2(3−x)]/[ 3(3−x)−(2−x)] =(2 − x + 6 − 2x)/(9 − 3x − 2 + x)=(8 − 3x)/(7 − 2x)
(f) f(x) = |x − 4|, g(x) = 2ˣ, h(x) = √x
g(√x)= 2^(√x)f = | 2^(√x)− 4 |
(g) f(x) = √(x − 3), g(x) = x², h(x) = x³ + 2
g(x^3+2)=(x^3+2)^2 f = √((x^3 + 2)^2 − 3)
(h) f(x) = tg x, g(x) = x/(x−1), h(x) = ∛x
g(∛x)= ∛x/(∛x − 1)f = tg(∛x/(∛x − 1))
PROBLEMA 12, COMPOSTAS PELO GRÁFICO
Use os gráficos de f e g para determinar cada valor, ou explique por que não está definido.
Método. Leia os gráficos e transforme-os em fórmulas, assim as contas ficam exatas.
A função f (a linha vermelha) é formada por dois segmentos: de (0, 0) a (2, −2), e de (2, −2) a (6, 6).
f(x)= −x para 0 ≤ x ≤ 2 ; f(x)= 2x − 6 para 2 ≤ x ≤ 6
Seu domínio é [0, 6].
A função g (a curva azul) tem domínio [−4, 4], e os pontos que interessam são:
x · −4 · −2 · 0 · 1 · 2 · 4
g(x) · 3 · 1 · 3 · 4 · 5 · 3
Agora os itens, sempre de dentro para fora:
(a) f(g(2))
g(2) = 5. E 5 está em [0,6], no segundo trecho de f: f(5) = 2(5) − 6 = 4.
(b) g(f(0))
f(0) = 0. E 0 está em [−4,4]: g(0) = 3.
(c) (f ∘ g)(0) = f(g(0))
g(0) = 3, e f(3) = 2(3) − 6 = 0.
(d) (g ∘ f)(6) = g(f(6))
f(6) = 2(6) − 6 = 6. Mas 6 não pertence ao domínio de g, que é [−4, 4].
Não está definida.
(e) (g ∘ g)(−2) = g(g(−2))
g(−2) = 1, e g(1) = 4.
(f) (f ∘ f)(4) = f(f(4))
f(4) = 2(4) − 6 = 2, e f(2) = −2.
O ITEM (D) É O QUE O PROFESSOR QUER VER
O enunciado diz "ou então, se for o caso, explique por que a expressão não está definida". Ou seja: há um item armado para não existir, e o ponto está na explicação.
A frase: "(g ∘ f)(6) não está definida porque f(6) = 6, e 6 não pertence ao domínio de g, que é [−4, 4]. Para a composta existir, a imagem da função de dentro precisa cair no domínio da de fora."
PROBLEMA 13, EQUAÇÃO COM COMPOSTA, PELO GRÁFICO
f, g : [0, 3] → ℝ dadas graficamente. A solução de (f ∘ g)(x) = 2 é:
Método. Resolva em duas etapas.
Etapa 1, para quais valores de t vale f(t) = 2?
Olhando o gráfico de f: ele atinge a altura 2 exatamente nos dois picos, em t = 1 e t = 2.
Etapa 2, para quais x vale g(x) = 1 ou g(x) = 2?
Olhando o gráfico de g:
g(x) = 1: no patamar horizontal entre x = 1/2 e x = 1, ou seja, em todo o intervalo [1/2, 1], e mais uma vez no ramo crescente final, em x = 5/2.
g(x) = 2: nos dois extremos, x = 0 e x = 3, onde a curva vale 2.
Reunindo tudo:
Solução = [1/2, 1] ∪ { 0, 5/2, 3 }
Resposta: alternativa (e).
POR QUE APARECE UM INTERVALO E NÃO SÓ PONTOS
Porque g é constante igual a 1 num trecho inteiro. Todo x desse trecho é solução, e por isso a resposta mistura um intervalo com pontos isolados.
As alternativas erradas são justamente as que trocam o intervalo por pontos, ou esquecem o x = 5/2. Antes de marcar, confirme os quatro elementos: o patamar, o 5/2, o 0 e o 3.
PRÓXIMO PASSO
Abra o Volume 2, problemas 14 a 25: trigonometria, funções inversas, identidades, exponencial e logaritmo.
Autor: Ulysses Cesar
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