Geometria analítica, módulo 1: vetores, coordenadas e norma
O que é um vetor, como transformar dois pontos em vetor, operar com vetores e calcular quanto um vetor mede.
Objetivo
Transformar dois pontos em um vetor (AB = B − A), somar, subtrair e multiplicar vetores por número, e calcular a norma.
Geometria analitica modulo 1 vetores coordenadas e norma
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Objetivo
O material inteiro, para ler aqui ou ouvir com o leitor do navegador. As fórmulas aparecem em linha, como (x − 1)/(x − 2); no PDF elas estão montadas.
GUIA DA P1: GEOMETRIA ANALÍTICA
Módulo 1
Vetores, coordenadas e norma
O que é um vetor, como se calcula com ele e quanto ele mede
Guia da P1 · Autor: Ulysses Cesar · Curso de Engenharia Civil
O QUE ESTE MÓDULO ENTREGA
Ao final dele você sabe fazer, sem pensar, as três operações que abrem todas as quatro questões da P1:
1. Transformar dois pontos em um vetor: AB = B − A.
2. Somar, subtrair e multiplicar vetores por número.
3. Calcular quanto um vetor mede: |v| = √(x² + y² + z²).
Parece pouco. Mas o item (a) das quatro questões é exatamente isso, e vale entre 0,4 e 1,5 ponto em cada uma. Errar aqui contamina a questão inteira, porque todos os outros itens partem desses vetores.
SUMÁRIO
PARTE A: O que é um vetor
A.1 O problema que o vetor resolve
A.2 Segmento orientado: direção, sentido e comprimento
A.3 Segmentos equipolentes: o mesmo vetor em muitos lugares
A.4 A definição de vetor
A.5 As notações que você vai encontrar
A.6 O representante que começa na origem
PARTE B: A regra de ouro
B.1 AB = B − A
B.2 Por que é "ponta menos origem", e não o contrário
B.3 O erro de sinal e como ele destrói uma questão
B.4 Treino imediato
PARTE C: As operações
C.1 Soma de vetores
C.2 Subtração
C.3 Multiplicação por escalar
C.4 Vetor nulo e vetor oposto
C.5 A base canônica i, j, k
C.6 Igualdade de vetores vira sistema de equações
PARTE D: Paralelismo e colinearidade
D.1 Vetores paralelos
D.2 O teste das coordenadas proporcionais
D.3 Pontos colineares
D.4 Dependência e independência linear
PARTE E: Norma
E.1 A fórmula e de onde ela vem
E.2 Norma no plano e no espaço
E.3 Distância entre dois pontos
E.4 As três propriedades da norma
E.5 Vetor unitário e versor
E.6 Vetor de módulo dado numa direção dada
PARTE F: Erros que custam ponto
PARTE G: Treino com a Lista do professor
PARTE H: Onde ler mais
COMO LER OS SÍMBOLOS DESTE MÓDULO
Nenhum símbolo aqui é decoração: cada um substitui uma frase inteira. Se travar na leitura de uma equação, volte a esta tabela.
Símbolo · Lê-se · O que é
ℝ · erre, conjunto dos reais · todos os números da reta: inteiros, frações e irracionais.
√ · raiz quadrada · pergunta qual número, multiplicado por ele mesmo, dá o que está sob o traço.
· · vezes · multiplicação. Usa-se o ponto para não confundir com a letra x.
± · mais ou menos · as duas contas valem: uma com +, outra com −.
∓ · menos ou mais · o contrário do ±, quando os sinais se alternam juntos.
≤ · menor ou igual a · inclui o próprio valor.
≥ · maior ou igual a · inclui o próprio valor.
≠ · diferente de · não é igual.
⟺ · se e somente se · os dois lados valem juntos: um garante o outro, nos dois sentidos.
⟨ · produto escalar (interno), escreve-se ⟨u, v⟩ · ⟨u, v⟩ multiplica coordenada por coordenada e soma. Devolve um NÚMERO. Dá zero exatamente quando os vetores são perpendiculares.
∧ · produto vetorial (externo), escreve-se u ∧ v · u ∧ v devolve um VETOR perpendicular aos dois. O comprimento dele é a área do paralelogramo.
| · módulo, ou norma, escreve-se |v| · |v| é o comprimento do vetor v; |x| é a distância de x até zero. Nunca é negativo.
∥ · paralelo a · têm a mesma direção.
² (expoente 2) · ao quadrado · o número multiplicado por ele mesmo. x² é x·x.
i, j, k · i, j, k · os três vetores de comprimento 1 que apontam ao longo dos eixos x, y e z.
PARTE A: O QUE É UM VETOR
A.1 O problema que o vetor resolve
Existem grandezas que um número resolve: massa (80 kg), temperatura (23 °C), tempo (5 s). Chamam-se grandezas escalares, basta a intensidade.
E existem grandezas que um número não resolve. Se eu digo que uma força de 500 N age sobre um pilar, você ainda não sabe nada de útil: para baixo, ela comprime; na horizontal, ela derruba. Faltam duas informações: para onde e em que sentido.
Com números: três forças de mesma intensidade, 500 N, fazem coisas diferentes no pilar. Vertical, de cima para baixo, ela comprime o pilar. Horizontal, ela o empurra de lado e tende a tombá-lo. Inclinada, ela pode ser as duas coisas ao mesmo tempo: 300 N na horizontal e 400 N na vertical, porque 300² + 400² = 90 000 + 160 000 = 250 000 = 500². O número 500 é o mesmo nos três casos e o efeito é diferente em cada um. Por isso o número sozinho não basta.
Grandezas assim, força, velocidade, aceleração, deslocamento, momento, são grandezas vetoriais. Precisam de três coisas ao mesmo tempo:
1. Módulo (ou intensidade): quanto vale.
2. Direção: a reta ao longo da qual atua.
3. Sentido: para que lado, dentro daquela direção.
O vetor é o objeto matemático que carrega essas três informações juntas.
DIREÇÃO E SENTIDO NÃO SÃO A MESMA COISA
Na linguagem comum a gente confunde. Em matemática, não.
Direção é a reta, ou melhor, a inclinação da reta. Norte-sul é uma direção. Leste-oeste é outra.
Sentido é o lado, dentro da direção. Norte e sul são dois sentidos da mesma direção.
Dois vetores opostos, como v e −v, têm a mesma direção e sentidos contrários. Se você trocar essas palavras na prova, o professor risca.
A.2 Segmento orientado: direção, sentido e comprimento
Pegue dois pontos, A e B. O segmento AB, com uma seta indicando que se vai de A para B, é um segmento orientado. A é a origem, B é a extremidade.
Ele já tem as três informações:
direção: a da reta que passa por A e B;
sentido: de A para B (o contrário seria o segmento BA);
comprimento: a distância entre A e B.
A.3 Segmentos equipolentes: o mesmo vetor em muitos lugares
Aqui está a ideia que faz o vetor funcionar, e vale a pena parar nela.
Considere dois segmentos orientados diferentes, em lugares diferentes do plano, mas que tenham a mesma direção, o mesmo sentido e o mesmo comprimento. Eles se dizem equipolentes.
Do ponto de vista da física, eles representam a mesma coisa: "ande 3 para a direita e 1 para cima" é a mesma instrução, independentemente de onde você comece.
O livro do Steinbruch e Winterle, na página 24 do PDF que está na sua pasta, dá o exemplo exato:
Segmento · De · Para · Vetor
AB · A(−2, 3) · B(1, 4) · (3, 1)
CD · C(1, 2) · D(4, 3) · (3, 1)
OP · O(0, 0) · P(3, 1) · (3, 1)
Três segmentos, em lugares diferentes, com a mesma direção, o mesmo sentido e o mesmo comprimento. São representantes do mesmo vetor (3, 1).
Três segmentos em posições diferentes da folha. Um único vetor.
A.4 A definição de vetor
Juntando tudo:
DEFINIÇÃO
Um vetor é o conjunto de todos os segmentos orientados equipolentes entre si.
Em linguagem de dia a dia: um vetor é uma instrução de deslocamento, "ande tanto em x, tanto em y, tanto em z", sem compromisso com o ponto de partida.
Cada segmento orientado desse conjunto é um representante do vetor.
É por isso que o mesmo vetor pode ser desenhado em qualquer lugar do plano sem deixar de ser ele mesmo. E é por isso que, na prova, você vai poder falar de "o vetor AB" sem se preocupar com onde A está.
A.5 As notações que você vai encontrar
Notação · Onde aparece · Observação
v⃗ ou v · livros, quadro · letra minúscula com seta
AB com seta · prova e livro · vetor que vai do ponto A ao ponto B
(x, y, z) · contas · as coordenadas do vetor
xi + yj + zk · livro, física · a mesma coisa, na base canônica
As duas últimas linhas são a mesma coisa escrita de dois jeitos. O vetor (2, −1, 3) e o vetor 2i − j + 3k são idênticos. O livro alterna entre as duas notações sem avisar; a prova usa a primeira.
A.6 O representante que começa na origem
Entre os infinitos representantes de um vetor, um é especial: o que tem origem no ponto O(0, 0, 0).
Esse é o representante cuja extremidade tem exatamente as coordenadas do vetor. É por isso que se pode escrever v = (3, 1) sem ambiguidade: subentende-se o representante que sai da origem.
PARTE B: A REGRA DE OURO
B.1 AB = B − A
Esta é a fórmula mais usada da prova inteira. Ela aparece no item (a) das quatro questões.
AB = B − A
Em coordenadas, no espaço:
AB =(x(B)− x(A), y(B)− y(A), z(B)− z(A))
Em palavras: as coordenadas do vetor são as coordenadas da ponta menos as coordenadas da origem.
Exemplo trabalhado, o da questão 1 da prova
Dados A = (1, 0, 0) e B = (0, 1, 0):
AB = B − A =(0 − 1, 1 − 0, 0 − 0)=(−1, 1, 0)
E, com C = (0, 0, 1):
AC = C − A =(0 − 1, 0 − 0, 1 − 0)=(−1, 0, 1)
E, com D = (4, 2, 7):
AD = D − A =(4 − 1, 2 − 0, 7 − 0)=(3, 2, 7)
Pronto: o item (a) e o item (d) da questão 1 já estão resolvidos, e você ainda não viu produto nenhum.
B.2 Por que é "ponta menos origem", e não o contrário
Vale entender, porque entender evita o erro.
Olhe o triângulo formado pela origem O, pelo ponto A e pelo ponto B. Existe um caminho direto de O até B, e existe o caminho O → A → B. Como vetores, os dois caminhos são iguais:
OA + AB = OB
Isolando o que interessa:
AB = OB − OA
E como OA é o vetor que vai da origem até A, suas coordenadas são as próprias coordenadas de A. O mesmo para OB e B. Logo:
AB = B − A
De onde vem AB = B − A: o caminho O → A → B é o mesmo que o caminho direto O → B.
Essa dedução está na página 24 do PDF do Steinbruch e Winterle, com a figura. Se o professor pedir a justificativa, é essa.
UM AVISO SOBRE OS NÚMEROS DE PÁGINA
Aqui, e na Parte H no fim do módulo, toda página citada é a do arquivo PDF, a que aparece no leitor, e não a que está impressa no rodapé da folha do livro.
As duas diferem em uma unidade: página do PDF = página do livro + 1, porque o recorte começa com uma folha a mais. Se você abrir o PDF na página indicada e encontrar outro assunto, é essa a razão; ande uma para trás.
B.3 O erro de sinal e como ele destrói uma questão
Trocar B − A por A − B dá o vetor oposto: mesma direção, mesmo comprimento, sentido invertido.
Às vezes isso não muda a resposta final, normas e áreas não mudam de valor, porque envolvem módulo. Mas em três lugares muda, e muda feio:
1. No produto vetorial: o resultado inteiro troca de sinal e o vetor aponta para o lado errado.
2. No produto misto: o volume sai negativo.
3. Na projeção: a sombra aponta para o lado errado.
O HÁBITO QUE ELIMINA ESSE ERRO
Antes de subtrair, escreva os dois pontos na ordem em que aparecem no nome do vetor e ponha o sinal de menos entre eles:
AB = B − A
BC = C − B
AD = D − A
A letra que está depois no nome é a que vem primeiro na conta. Sempre.
B.4 Treino imediato
Com A = (0, 0, 0), B = (4, 3, 0) e C = (4, 3, 12), os pontos da questão 2 da prova:
Vetor · Conta · Resultado
AB · B − A = (4−0, 3−0, 0−0) · (4, 3, 0)
AC · C − A = (4−0, 3−0, 12−0) · (4, 3, 12)
BC · C − B = (4−4, 3−3, 12−0) · (0, 0, 12)
Repare no BC: dá (0, 0, 12), um vetor que só tem componente vertical. Ou seja, C está exatamente em cima de B, 12 unidades acima. Esse detalhe geométrico é o que faz a questão 2 inteira funcionar, e você já pode enxergá-lo aqui.
PARTE C: AS OPERAÇÕES
C.1 Soma de vetores
Soma-se coordenada com coordenada:
u + v =(x_1 + x_2 , y_1 + y_2 , z_1 + z_2)
Geometricamente, há duas maneiras equivalentes de enxergar:
Regra do polígono: coloque o segundo vetor começando onde o primeiro terminou. A soma é o vetor que vai do começo do primeiro ao fim do segundo. É a interpretação de "deslocamento": ande isto, depois ande aquilo.
Regra do paralelogramo: coloque os dois saindo do mesmo ponto e feche o paralelogramo. A soma é a diagonal.
As duas maneiras de somar, que dão o mesmo resultado: encadeando (polígono) ou fechando o paralelogramo.
Exemplo, o item (a) da questão 4
u = (1, 4, 8), v = (3, 4, 0), w = (−4, −8, −8).
u + v + w =(1+3−4 , 4+4−8 , 8+0−8)=(0, 0, 0)
Deu o vetor nulo. Isso não é acaso: significa que os três vetores, encadeados, voltam ao ponto de partida, eles fecham um triângulo. Toda a questão 4 é uma exploração dessa condição.
C.2 Subtração
Subtrair é somar o oposto:
u − v = u +(−v)=(x_1 − x_2 , y_1 − y_2 , z_1 − z_2)
Geometricamente, u − v é o vetor que vai da ponta de v até a ponta de u, quando os dois saem do mesmo ponto. (É a outra diagonal do paralelogramo.)
C.3 Multiplicação por escalar
Multiplicar um vetor por um número real k multiplica todas as coordenadas:
k · v =(k·x , k·y , k·z)
O efeito geométrico:
Valor de k · O que acontece com o vetor
k > 1 · estica, mantém o sentido
0 < k < 1 · encolhe, mantém o sentido
k = 1 · não muda nada
k = 0 · vira o vetor nulo
k < 0 · inverte o sentido e escala pelo módulo de k
Multiplicar por número estica, encolhe ou inverte, mas nunca sai da mesma reta.
O ponto essencial: multiplicar por escalar nunca muda a direção (a reta continua a mesma). Só muda o tamanho e, se k for negativo, o sentido. Guarde isso, é a base do teste de paralelismo da Parte D.
C.4 Vetor nulo e vetor oposto
Vetor nulo, escrito 0⃗ = (0, 0, 0): comprimento zero, direção indefinida. É o elemento neutro da soma.
Vetor oposto de v é −v = (−x, −y, −z). Vale sempre v + (−v) = 0⃗.
C.5 A base canônica i, j, k
Três vetores especiais, cada um de comprimento 1, apontando ao longo de um eixo:
i =(1, 0, 0)j =(0, 1, 0)k =(0, 0, 1)
Qualquer vetor do espaço se escreve como combinação deles:
(x, y, z)= x·i + y·j + z·k
Exemplos de tradução, nos dois sentidos
Em coordenadas · Na base canônica
(2, −1, 3) · 2i − j + 3k
(0, 0, 12) · 12k
(−32, 24, −8) · −32i + 24j − 8k
(1, 1, 1) · i + j + k
POR QUE ISSO IMPORTA NA PROVA
Porque a Lista de Exercícios e o livro alternam as duas notações sem aviso. O exercício 7 da lista, por exemplo, começa com "Seja o vetor v = (m + 7)i + (m + 2)j + 5k". Se você não traduzir isso instantaneamente para (m+7, m+2, 5), perde tempo.
E porque a fórmula do produto vetorial exige os três símbolos i, j, k na primeira linha do determinante.
C.6 Igualdade de vetores vira sistema de equações
Dois vetores são iguais quando todas as coordenadas são iguais, uma a uma. Isso transforma uma igualdade vetorial em um sistema de equações, e é assim que se acham pontos desconhecidos.
Exemplo trabalhado, exercício 7 da Lista (o que o professor resolve à mão nas anotações)
Dados A(2, −3, 1) e B(4, 5, −2), determinar o ponto P tal que AP = PB.
Chame P = (x, y, z). Então:
AP = P − A = (x − 2, y + 3, z − 1)
PB = B − P = (4 − x, −5 − y, −2 − z)
Igualando coordenada a coordenada:
Equação · Resolvendo · Resultado
x − 2 = 4 − x · 2x = 6 · x = 3
y + 3 = −5 − y · 2y = −8 · y = −4
z − 1 = −2 − z · 2z = −1 · z = −1/2
Logo P = (3, −4, −1/2), que confere com o gabarito do livro.
E repare no que P é: o ponto médio de A e B. Faz sentido, se o deslocamento de A até P é igual ao de P até B, P está no meio.
PARTE D: PARALELISMO E COLINEARIDADE
D.1 Vetores paralelos
Dois vetores são paralelos (ou colineares) quando têm a mesma direção, isto é, quando um é múltiplo do outro:
u ∥ v ⟺ u = k · v, para algum número real k
D.2 O teste das coordenadas proporcionais
Se u = k·v, então cada coordenada de u é k vezes a de v. Dividindo:
u_1/v_1 = u_2/v_2 = u_3/v_3 = k
Ou seja: os vetores são paralelos quando as coordenadas são proporcionais.
Exemplo trabalhado, exercício 11 da Lista (resolvido nas anotações do professor)
Determinar a e b de modo que u = (4, 1, −3) e v = (6, a, b) sejam paralelos.
Monta-se a cadeia de razões:
4/6 = 1/a = −3/b
Primeira igualdade: 4/6 = 1/a → 4a = 6 → a = 3/2
Segunda igualdade: 4/6 = −3/b → 4b = −18 → b = −9/2
O CUIDADO COM O ZERO
Se alguma coordenada de v for zero, a divisão não existe. Nesse caso use a forma multiplicada, que nunca falha: teste se u₁·v₂ = u₂·v₁, e assim por diante para os outros pares. É a mesma proporção, sem divisão.
Foi exatamente assim que o professor conferiu o exercício 12 nas anotações: escreveu 3·(−8) = 6·(−4), viu −24 = −24, e concluiu.
D.3 Pontos colineares
Três pontos A, B e C são colineares quando estão na mesma reta. O teste em vetores:
A, B, C colineares ⟺ AB ∥ AC
Basta montar os dois vetores e testar a proporcionalidade das coordenadas.
Serve qualquer par de vetores formado pelos três pontos: AB ∥ AC, ou AB ∥ BC, ou AC ∥ BC. Os três testes dizem a mesma coisa, se os pontos caem na mesma reta, quaisquer dois desses vetores são paralelos. Use o par que der as contas mais fáceis.
Exemplo, exercício 12(a) da Lista
Verificar se A(−1, −5, 0), B(2, 1, 3) e C(−2, −7, −1) são colineares.
Aqui vou usar o par AB e BC, que dá os números menores:
AB = B − A = (3, 6, 3)
BC = C − B = (−4, −8, −4)
Testando: 3/(−4) = 6/(−8) = 3/(−4)? Multiplicando cruzado: 3·(−8) = −24 e 6·(−4) = −24. Iguais. Logo os vetores são paralelos e os três pontos são colineares.
Conferindo pelo outro par, para você ver que dá no mesmo: AC = C − A = (−1, −2, −1). E AB = (3, 6, 3) = −3 · (−1, −2, −1) = −3 · AC. Paralelos também. (confere)
D.4 Dependência e independência linear
O Plano de Ensino lista "conceito de independência linear" no conteúdo da primeira etapa. Em termos práticos, para a P1:
Situação · Nome · Como se detecta
dois vetores na mesma reta · linearmente dependentes · coordenadas proporcionais; produto vetorial = 0
dois vetores em direções distintas · linearmente independentes · produto vetorial ≠ 0
três vetores no mesmo plano · linearmente dependentes · produto misto = 0
três vetores que "abrem" o espaço · linearmente independentes · produto misto ≠ 0
As duas últimas linhas são a resposta pronta do item (f) da questão 4. Volte a esta tabela quando chegar ao Módulo 3.
PARTE E: NORMA
E.1 A fórmula e de onde ela vem
A norma (ou módulo) de um vetor é o seu comprimento. Escreve-se entre barras simples:
|v| = √(x^2 + y^2 + z^2)
Você já deduziu essa fórmula no Módulo 0, seção C.2: é o Teorema de Pitágoras aplicado duas vezes dentro de uma caixa. O vetor é a diagonal da caixa cujas arestas são x, y e z.
Há também uma forma elegante, que o livro apresenta na seção 3.2 e que reaparece no Módulo 2:
|v| = √⟨v, v⟩
E.2 Norma no plano e no espaço
Espaço · Fórmula · Exemplo
Plano (ℝ²) · |v| = √(x² + y²) · |(3, 4)| = √25 = 5
Espaço (ℝ³) · |v| = √(x² + y² + z²) · |(4, 3, 12)| = √169 = 13
As normas das quatro questões da prova, calculadas
Vale ter estas prontas, são as que você vai reproduzir no quadro:
Questão · Vetor · Conta · Norma
1 · v ∧ w = (1, 1, 1) · √(1+1+1) · √3
1 · (4, 4, 4) · √(16+16+16) = √48 · 4√3
2 · AB = (4, 3, 0) · √(16+9+0) = √25 · 5
2 · BC = (0, 0, 12) · √144 · 12
2 · AC = (4, 3, 12) · √(16+9+144) = √169 · 13
3 · AB = (6, 0, 0) · √36 · 6
3 · AC = (3, 4, 0) · √25 · 5
3 · BC = (−3, 4, 0) · √25 · 5
4 · u = (1, 4, 8) · √(1+16+64) = √81 · 9
4 · v = (3, 4, 0) · √25 · 5
4 · w = (−4, −8, −8) · √(16+64+64) = √144 · 12
Todas dão número inteiro ou radical simples. Não é sorte: o professor escolheu os pontos para isso. Se a sua norma sair feia, você errou uma conta, é o melhor detector de erro que a prova oferece.
E.3 Distância entre dois pontos
A distância entre A e B é o comprimento do vetor AB:
d(A, B)= |AB| = √[(x(B)−x(A))^2 +(y(B)−y(A))^2 +(z(B)−z(A))^2]
É a mesma fórmula da norma, com a subtração feita antes. Nada de novo.
E.4 As três propriedades da norma
1. |v| ≥ 0 sempre, e |v| = 0 só quando v é o vetor nulo. (Comprimento não é negativo.)
2. |k·v| = |k| · |v|. Dobrar o vetor dobra o comprimento; multiplicar por −3 triplica o comprimento e inverte o sentido.
3. |u + v| ≤ |u| + |v|, a desigualdade triangular. O caminho direto nunca é mais longo que o caminho com escala.
A CONSEQUÊNCIA PRÁTICA DA PROPRIEDADE 3
A norma da soma não é a soma das normas. Se você precisar de |u + v|, tem que somar os vetores primeiro e só então tirar a raiz. Não dá para somar as normas.
É a mesma armadilha do √(a+b) ≠ √a + √b, do Módulo 0.
E.5 Vetor unitário e versor
Um vetor é unitário quando sua norma vale exatamente 1.
Dado um vetor v qualquer, não nulo, o versor de v é o vetor unitário que aponta na mesma direção e sentido. Obtém-se dividindo o vetor pela própria norma:
versor de v = v/|v|
Exemplo trabalhado
Seja v = (1, 1, 1). Sua norma é √3. Então:
versor =(1/√3 , 1/√3 , 1/√3)=(√3/3 , √3/3 , √3/3)
(Racionalizado, como manda a seção B.3 do Módulo 0.)
Conferindo: √(1/3 + 1/3 + 1/3) = √1 = 1. (confere)
E.6 Vetor de módulo dado numa direção dada
Pergunta clássica da lista: "determine um vetor de módulo 5 paralelo a v".
O procedimento é sempre o mesmo, em dois passos:
1. Ache o versor de v (que tem módulo 1).
2. Multiplique o versor pelo módulo desejado.
Exemplo, exercício 30 da Lista
Determinar um vetor de módulo 5 paralelo ao vetor v = (1, −1, 2).
1. |v| = √(1 + 1 + 4) = √6
2. versor = (1/√6, −1/√6, 2/√6)
3. Multiplicando por 5: (5/√6, −5/√6, 10/√6)
E há uma segunda resposta, com todos os sinais trocados, porque "paralelo" admite os dois sentidos. O gabarito do livro traz exatamente isso: (± 5/√6, ∓ 5/√6, ± 10/√6).
RACIONALIZE ANTES DE ENTREGAR
O gabarito do livro para nessa forma, mas ela ainda tem raiz no denominador, e a seção B.3 do Módulo 0 diz que isso não se deixa. Multiplique cada coordenada por :
5/√6 = 5√6/6 10/√6 = = 5√6/3
Resposta racionalizada: ± ( 5√6/6 , −5√6/6 , 5√6/3 )
As duas formas estão corretas e o professor aceita as duas. Mas a Parte F deste módulo lista "deixar raiz no denominador" como erro que custa ponto, não se contradiga na própria folha. Racionalizar custa três linhas.
PARTE F: ERROS QUE CUSTAM PONTO
Erro · Como evitar
Escrever AB = A − B · A letra que vem depois no nome entra primeiro na conta
Somar as normas em vez de somar os vetores · Some os vetores primeiro; a raiz vem depois
Esquecer de simplificar o radical · Toda raiz da prova simplifica. Se ficou feia, procure o quadrado perfeito
Confundir direção com sentido · Direção é a reta; sentido é o lado
Dizer "vetor (2,1,3)" quando o enunciado pede ponto · Pontos são A, B, C, D; vetores são u, v, w
Deixar raiz no denominador · Racionalize: 1/√3 = √3/3
Dividir por coordenada nula ao testar paralelismo · Use a forma multiplicada: u₁·v₂ = u₂·v₁
PARTE G: TREINO COM A LISTA DO PROFESSOR
Da Lista de Exercícios para a P1, faça agora estes, todos com gabarito no próprio arquivo, e vários resolvidos à mão nas Anotações da Aula de Revisão.
Bloco 1, vetor a partir de pontos (Capítulo 2, páginas 37 e 38 do livro)
Exercícios 1, 3, 6, 7, 8, 9, todos são B − A aplicado uma ou duas vezes.
Bloco 2, operações e igualdade vira sistema
Exercícios 2, 5, 10, montar sistema a partir de igualdade vetorial.
Bloco 3, paralelismo e colinearidade
Exercícios 11, 12, 13, 14, 15. O 14 pede provar que quatro pontos formam um paralelogramo: basta mostrar que AB = DC.
Bloco 4, norma, versor e módulo dado (Capítulo 3, páginas 90 e 91)
Exercícios 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 29, 30, 34.
O 10 pede o perímetro de um triângulo dado por três vértices: são três normas somadas.
COMO CONFERIR SEM O GABARITO
Depois de calcular um vetor AB, some-o de volta ao ponto A. Tem que dar B.
A + AB = B
Se não der, você errou o sinal. Leva cinco segundos e pega o erro mais comum da disciplina.
PARTE H: ONDE LER MAIS
Assunto · Steinbruch e Winterle (páginas do PDF na sua pasta)
Segmento orientado, direção, sentido, equipolência · 2 a 20 (capítulo 1)
Vetor no plano e no espaço; AB = B − A · 24 (é a página da dedução, com figura)
Decomposição, base canônica i, j, k · 25 a 33
Paralelismo e colinearidade · 34 a 37
Problemas propostos do capítulo 2 (1 a 15) · 38, com gabarito na 39
Módulo de um vetor (seção 3.2) · 41
Vetor unitário e versor · 42 a 45
Problemas propostos do capítulo 3 (1 a 75) · 91 em diante, gabarito nas 97 a 99
PRÓXIMO PASSO
Quando os quatro blocos da Parte G saírem sem consulta, abra o Módulo 2, Produto escalar. É lá que os vetores começam a conversar entre si.
A norma de um vetor é a diagonal da caixa cujas arestas são x, y e z. Nada além de Pitágoras, duas vezes.
Autor: Ulysses Cesar
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