Geometria analítica, módulo 3: produto vetorial e produto misto
Produto vetorial e produto misto: área do paralelogramo e do triângulo, volume do paralelepípedo e do tetraedro, coplanaridade.
Objetivo
Montar o determinante com i, j, k sem errar o sinal do meio e dizer o que o número resultante significa: área, volume ou coplanaridade.
Geometria analitica modulo 3 produto vetorial e produto misto
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Objetivo
O material inteiro, para ler aqui ou ouvir com o leitor do navegador. As fórmulas aparecem em linha, como (x − 1)/(x − 2); no PDF elas estão montadas.
GUIA DA P1: GEOMETRIA ANALÍTICA
Módulo 3
Produto vetorial e produto misto
Área, volume e coplanaridade, onde a prova é decidida
Guia da P1 · Autor: Ulysses Cesar · Curso de Engenharia Civil
O QUE ESTE MÓDULO ENTREGA
As três respostas que o professor pede em todas as quatro questões:
1. Área. A norma do produto vetorial é a área do paralelogramo; metade dela é a área do triângulo.
2. Volume. O módulo do produto misto é o volume do paralelepípedo; um sexto dele é o volume do tetraedro.
3. Coplanaridade. Produto misto igual a zero significa que os três vetores estão no mesmo plano.
Se você sair deste módulo sabendo montar um determinante 3×3 com i, j, k sem errar o sinal do meio, e sabendo dizer o que o número resultante significa, a prova está ganha.
SUMÁRIO
PARTE A: Produto vetorial: a conta
A.1 O que ele produz
A.2 A fórmula do determinante simbólico
A.3 O passo a passo, com o sinal do meio
A.4 A conferência obrigatória
A.5 Propriedades
A.6 Regra da mão direita
PARTE B: Produto vetorial: o significado
B.1 A norma é a área do paralelogramo
B.2 Dedução da fórmula da área
B.3 Área do triângulo
B.4 Altura do triângulo a partir da área
B.5 Vetor ortogonal a dois vetores dados
PARTE C: Produto misto: a conta
C.1 Definição
C.2 Como calcular na prática
C.3 Notação
PARTE D: Produto misto: o significado
D.1 Volume do paralelepípedo, a dedução completa
D.2 Por que o módulo
D.3 Volume do tetraedro
D.4 Coplanaridade
PARTE E: O mapa de decisão
PARTE F: Erros que custam ponto
PARTE G: Treino com a Lista do professor
PARTE H: Onde ler mais
COMO LER OS SÍMBOLOS DESTE MÓDULO
Nenhum símbolo aqui é decoração: cada um substitui uma frase inteira. Se travar na leitura de uma equação, volte a esta tabela.
Símbolo · Lê-se · O que é
ℓ · ele · usado aqui como o comprimento de um lado genérico.
θ · teta · letra grega. Nomeia um ângulo, quase sempre o ângulo entre dois vetores.
√ · raiz quadrada · pergunta qual número, multiplicado por ele mesmo, dá o que está sob o traço.
· · vezes · multiplicação. Usa-se o ponto para não confundir com a letra x.
× · vezes · multiplicação.
≠ · diferente de · não é igual.
⟹ · implica · se o lado esquerdo vale, então o direito também vale.
⟺ · se e somente se · os dois lados valem juntos: um garante o outro, nos dois sentidos.
⟨ · produto escalar (interno), escreve-se ⟨u, v⟩ · ⟨u, v⟩ multiplica coordenada por coordenada e soma. Devolve um NÚMERO. Dá zero exatamente quando os vetores são perpendiculares.
∧ · produto vetorial (externo), escreve-se u ∧ v · u ∧ v devolve um VETOR perpendicular aos dois. O comprimento dele é a área do paralelogramo.
| · módulo, ou norma, escreve-se |v| · |v| é o comprimento do vetor v; |x| é a distância de x até zero. Nunca é negativo.
∥ · paralelo a · têm a mesma direção.
sen · seno · num triângulo retângulo, cateto oposto dividido pela hipotenusa.
cos · cosseno · cateto adjacente dividido pela hipotenusa.
proj · projeção · a sombra de um vetor na direção de outro.
i, j, k · i, j, k · os três vetores de comprimento 1 que apontam ao longo dos eixos x, y e z.
PARTE A: PRODUTO VETORIAL: A CONTA
A.1 O que ele produz
O produto escalar do Módulo 2 pega dois vetores e devolve um número. O produto vetorial pega dois vetores e devolve outro vetor, e um vetor muito particular:
A PROPRIEDADE QUE DEFINE O PRODUTO VETORIAL
O vetor u ∧ v é perpendicular aos dois ao mesmo tempo. Se u e v determinam um plano, então u ∧ v é perpendicular a esse plano inteiro.
Todo o resto, a fórmula, o determinante, a regra da mão direita, existe para produzir esse vetor.
O produto vetorial devolve um vetor perpendicular aos dois ao mesmo tempo, e, portanto, perpendicular ao plano que eles formam.
Guarde também o nome duplo, porque a prova usa um e o livro usa outro:
Produto externo e o símbolo ∧, na prova do professor.
Produto vetorial e o símbolo ×, no livro do Steinbruch e Winterle e na Lista.
São a mesma operação.
A.2 A fórmula do determinante simbólico
Dados u = (x₁, y₁, z₁) e v = (x₂, y₂, z₂):
u ∧ v = | i j k ; x_1 y_1 z_1 ; x_2 y_2 z_2 |
Na primeira linha entram os símbolos i, j, k. Na segunda, as coordenadas do primeiro vetor. Na terceira, as do segundo.
Isso não é um determinante de verdade, a primeira linha tem vetores, não números. É um truque de notação que faz a conta sair certa. O livro chama de "determinante simbólico".
A ORDEM DAS LINHAS IMPORTA
Se você trocar a segunda com a terceira linha, o determinante troca de sinal (propriedade 4 dos determinantes, Módulo 0, seção E.5). E de fato u ∧ v = −(v ∧ u).
Portanto: primeiro vetor do nome, segunda linha da matriz. Em AB ∧ AC, o AB vai na linha do meio.
A.3 O passo a passo, com o sinal do meio
Expanda pela primeira linha, por cofatores (Módulo 0, seção E.4), lembrando + − +:
u ∧ v = | y_1 z_1 ; y_2 z_2 | i − | x_1 z_1 ; x_2 z_2 | j + | x_1 y_1 ; x_2 y_2 | k
O procedimento mecânico, que você deve executar sem pensar:
1. Componente i: tape a coluna do x. Sobram as colunas y e z. Faça y₁z₂ − z₁y₂.
2. Componente j: tape a coluna do y. Sobram x e z. Faça x₁z₂ − z₁x₂ e troque o sinal.
3. Componente k: tape a coluna do z. Sobram x e y. Faça x₁y₂ − y₁x₂.
Exemplo trabalhado 1, o item (a) da questão 1
v = AB = (−1, 1, 0) e w = AC = (−1, 0, 1).
v ∧ w = | i j k ; −1 1 0 ; −1 0 1 |
i: tape a coluna do x → | 1 0 ; 0 1 | = 1·1 − 0·0 = 1
j: tape a coluna do y → | −1 0 ; −1 1 | = (−1)·1 − 0·(−1) = −1. Com o menos da regra: +1
k: tape a coluna do z → | −1 1 ; −1 0 | = (−1)·0 − 1·(−1) = 1
v ∧ w =(1, 1, 1)
Exemplo trabalhado 2, o item (h) da questão 2
AB = (4, 3, 0) e AC = (4, 3, 12).
i: | 3 0 ; 3 12 | = 36 − 0 = 36
j: | 4 0 ; 4 12 | = 48 − 0 = 48. Com o menos: −48
k: | 4 3 ; 4 3 | = 12 − 12 = 0
AB ∧ AC =(36, −48, 0)
Exemplo trabalhado 3, o item (a) da questão 3
AB = (6, 0, 0) e AC = (3, 4, 0).
i: | 0 0 ; 4 0 | = 0
j: | 6 0 ; 3 0 | = 0. Com o menos: 0
k: | 6 0 ; 3 4 | = 24 − 0 = 24
AB ∧ AC =(0, 0, 24)
Faz sentido geométrico: os três pontos da questão 3 têm todos z = 8, isto é, estão num plano horizontal. Um vetor perpendicular a esse plano só pode ser vertical, e (0, 0, 24) é vertical. Esse tipo de conferência mental vale ouro na prova.
A.4 A conferência obrigatória
O produto vetorial é perpendicular aos dois vetores originais. Então há um teste que sempre funciona:
⟨u, u ∧ v⟩ = 0 e ⟨v, u ∧ v⟩ = 0
Se algum dos dois não der zero, você errou a conta, quase sempre no sinal do meio.
Conferindo o exemplo 1
v = (−1, 1, 0), w = (−1, 0, 1), v ∧ w = (1, 1, 1).
⟨v, v∧w⟩ =(−1)(1)+(1)(1)+(0)(1)= −1 + 1 + 0 = 0
⟨w, v∧w⟩ =(−1)(1)+(0)(1)+(1)(1)= −1 + 0 + 1 = 0
ISSO É EXATAMENTE O ITEM (B) DA QUESTÃO 1
O professor pede: "calcule os produtos internos ⟨v, v∧w⟩ e ⟨w, v∧w⟩ e explique os resultados obtidos".
Os dois dão zero. A explicação, que é onde está o ponto, é: o produto escalar nulo significa perpendicularidade; logo os dois zeros confirmam que v ∧ w é ortogonal simultaneamente a v e a w, que é a propriedade que define o produto vetorial.
Ele está fazendo você verificar a teoria com as próprias mãos. Escreva a explicação, não só os zeros.
A.5 Propriedades
Propriedade · Enunciado · Observação
Anticomutativa · u ∧ v = −(v ∧ u) · não é comutativo; trocar a ordem inverte o vetor
Nulo em paralelos · u ∥ v ⟹ u ∧ v = 0⃗ · inclusive u ∧ u = 0⃗
Distributiva · u ∧ (v + w) = u∧v + u∧w · vale
Com escalar · (k·u) ∧ v = k·(u ∧ v) · vale
Não é associativo · u ∧ (v ∧ w) ≠ (u ∧ v) ∧ w · veja o contraexemplo logo abaixo
CONTRAEXEMPLO: POR QUE NÃO É ASSOCIATIVO
Tome os vetores da base: i = (1, 0, 0), j = (0, 1, 0) e k = (0, 0, 1). Pelo determinante (e pela regra da mão direita), i ∧ j = k e i ∧ k = −j.
Lado esquerdo: i ∧ (i ∧ j) = i ∧ k = −j.
Lado direito: (i ∧ i) ∧ j = 0 ∧ j = 0, porque o produto vetorial de um vetor por ele mesmo é nulo.
Como −j ≠ 0, os dois lados são diferentes. Moral: numa conta com três vetores, os parênteses mandam e não se pode escolher qual produto fazer primeiro.
A.6 Regra da mão direita
A fórmula dá o vetor perpendicular, mas há dois sentidos possíveis para "perpendicular ao plano", para cima ou para baixo. Qual dos dois a fórmula escolhe?
O gesto, com a mão direita:
1. Aponte os dedos estendidos na direção do primeiro vetor, u.
2. Feche a mão, girando os dedos até a direção do segundo vetor, v.
3. O polegar esticado aponta o sentido de u ∧ v.
É a mesma mão da orientação dos eixos (Módulo 0, seção A.3). Confira: i ∧ j = k. Dedos no x, giram para o y, polegar aponta para o z. (confere)
PARTE B: PRODUTO VETORIAL: O SIGNIFICADO
B.1 A norma é a área do paralelogramo
Aqui está a razão de o produto vetorial existir na sua prova:
|u ∧ v| = área do paralelogramo determinado por u e v
Ou seja: a conta do determinante devolve um vetor, mas o comprimento desse vetor é uma área.
B.2 Dedução da fórmula da área
Vale saber, porque o professor pede explicação em três dos quatro problemas.
Existe uma segunda expressão para a norma do produto vetorial, análoga à do produto escalar:
|u ∧ v| = |u| · |v| · sen θ
Agora olhe o paralelogramo formado por u e v. Tome |u| como base. A altura é a distância perpendicular do topo até essa base, e, no triângulo retângulo formado, essa altura é o cateto oposto ao ângulo θ:
altura = |v| · sen θ
Logo:
Área = base × altura = |u| · |v| · sen θ = |u ∧ v|
Por que a norma do produto vetorial é uma área: |v|·sen θ é a altura do paralelogramo relativa à base |u|.
Essa dedução está na página 72 do PDF do Steinbruch e Winterle, com a figura.
O CONTRASTE QUE ORGANIZA TUDO
Produto escalar traz o cosseno e mede o quanto os vetores se acompanham. Máximo quando são paralelos; zero quando são perpendiculares.
Produto vetorial traz o seno e mede o quanto os vetores se abrem. Zero quando são paralelos (paralelogramo achatado, área zero); máximo quando são perpendiculares.
São complementares. Uma frase e você explica as duas operações.
B.3 Área do triângulo
A diagonal de um paralelogramo o divide em dois triângulos iguais. Logo:
Área do triângulo ABC = ½ · |AB ∧ AC|
A diagonal parte o paralelogramo em dois triângulos iguais. Por isso o triângulo é metade.
Conferindo nas duas questões da prova
Questão · Produto vetorial · Norma · Área do triângulo
2 · AB ∧ AC = (36, −48, 0) · √(1296 + 2304) = √3600 = 60 · 60/2 = 30
3 · AB ∧ AC = (0, 0, 24) · 24 · 24/2 = 12
Na questão 2, a área também sai por (cateto × cateto)/2 = (5 × 12)/2 = 30. Os dois caminhos batem, e é isso que o item (i) pede que você verifique.
B.4 Altura do triângulo a partir da área
Sabendo a área, qualquer altura sai isolando na fórmula base × altura / 2 (Módulo 0, seção C.6):
h(ℓ)= 2 · Área/ℓ
É o item (h) da questão 3, que pede as três alturas de uma vez.
B.5 Vetor ortogonal a dois vetores dados
Pergunta muito frequente na Lista: "determine um vetor ortogonal simultaneamente a u e a v".
A resposta é imediata: é o produto vetorial u ∧ v. E se pedirem unitário, divida pela norma; se pedirem de módulo m, multiplique o unitário por m.
Há sempre duas respostas, porque −(u ∧ v) também é ortogonal aos dois. Diga isso: vale ponto.
PARTE C: PRODUTO MISTO: A CONTA
C.1 Definição
O produto misto de três vetores u, v, w é:
⟨u, v ∧ w⟩
Leia da direita para a esquerda: primeiro faça o produto vetorial de v com w (que dá um vetor); depois faça o produto escalar desse resultado com u (que dá um número).
Notação alternativa do livro: (u, v, w).
C.2 Como calcular na prática
Há dois caminhos, e os dois dão o mesmo número.
Caminho 1, em duas etapas (o que a prova pede)
O enunciado da questão 1 conduz você por este caminho: primeiro calcula v ∧ w no item (a), depois faz o escalar com u no item (d). É o caminho seguro.
Caminho 2, um único determinante 3×3
Empilhe as coordenadas dos três vetores, na ordem, e calcule o determinante:
⟨u, v ∧ w⟩ = | u_1 u_2 u_3 ; v_1 v_2 v_3 ; w_1 w_2 w_3 |
Aqui é um determinante de verdade, só com números, então dá para usar Sarrus. Serve para conferir o resultado do caminho 1 em trinta segundos.
Exemplo trabalhado, o item (d) da questão 1
u = (3, 2, 7), v ∧ w = (1, 1, 1).
Pelo caminho 1:
⟨u, v∧w⟩ = 3·1 + 2·1 + 7·1 = 12
Conferindo pelo caminho 2, com u = (3,2,7), v = (−1,1,0), w = (−1,0,1):
| 3 2 7 ; −1 1 0 ; −1 0 1 |
= 3·(1·1 − 0·0) − 2·((−1)·1 − 0·(−1)) + 7·((−1)·0 − 1·(−1))
= 3·(1) − 2·(−1) + 7·(1) = 3 + 2 + 7 = 12 (confere)
C.3 Notação
Repare que não faz falta escrever parênteses em ⟨u, v ∧ w⟩: a única leitura possível é fazer o vetorial primeiro, porque ⟨u, v⟩ ∧ w seria "número ∧ vetor", que não existe.
PARTE D: PRODUTO MISTO: O SIGNIFICADO
D.1 Volume do paralelepípedo, a dedução completa
Esta dedução é o item (h) da questão 1, vale 1,5 ponto, e está na página 84 do PDF do Steinbruch e Winterle. Ela junta tudo o que você viu até aqui.
Considere o paralelepípedo cujas três arestas que saem de um mesmo vértice são os vetores u, v e w.
Passo 1: o volume de qualquer paralelepípedo.
V =(área da base)×(altura)
Passo 2: a área da base. Tome como base o paralelogramo formado por v e w. Pela Parte B:
área da base = |v ∧ w|
Passo 3: a altura. O vetor v ∧ w é perpendicular à base. Chamando de θ o ângulo entre u e v ∧ w, a altura é a projeção de u nessa direção perpendicular:
h = |u| · |cos θ|
Passo 4: juntando.
V = |v ∧ w| · |u| · |cos θ|
Volume = área da base × altura. A base é o paralelogramo de v e w; a altura é medida na perpendicular a ela.
Passo 5: reconhecendo o produto escalar. Chame a = v ∧ w. Pela definição geométrica do produto escalar (Módulo 2, seção B.1), ⟨u, a⟩ = |u|·|a|·cos θ, e portanto |⟨u, a⟩| = |u|·|a|·|cos θ|. Mas essa é exatamente a expressão do Passo 4. Logo:
V = | ⟨u, v ∧ w⟩ |
O volume do paralelepípedo é o módulo do produto misto.
O ROTEIRO DE CINCO LINHAS PARA O ITEM (H)
Escreva no quadro, nesta ordem:
1. V = área da base × altura
2. área da base = |v ∧ w|
3. a altura é a componente de u perpendicular à base, ou seja |u|·|cos θ|
4. logo V = |v ∧ w| · |u| · |cos θ|
5. e isso é |⟨u, v ∧ w⟩|, pela definição geométrica do produto escalar
Cinco linhas, 1,5 ponto.
D.2 Por que o módulo
Porque o produto misto pode dar negativo, e volume não é negativo.
O sinal do produto misto informa a orientação dos três vetores, se formam um triedro "direito" (como i, j, k) ou "esquerdo". Para volume, isso não interessa: toma-se o módulo.
Se na sua conta o produto misto der −12, o volume é 12. Escrever "volume = −12" custa ponto.
D.3 Volume do tetraedro
Um tetraedro (pirâmide de base triangular) com arestas u, v, w saindo do mesmo vértice ocupa um sexto do paralelepípedo correspondente:
V(tetraedro)=(1/6)· | ⟨u, v ∧ w⟩ |
De onde vem o 6: a base do tetraedro é metade da base do paralelepípedo (triângulo em vez de paralelogramo), e o volume de uma pirâmide é um terço do prisma de mesma base e altura. Dois vezes três, seis.
A CONFIRMAÇÃO DE QUE OS NÚMEROS DA QUESTÃO 1 ESTÃO CERTOS
O exercício 75(a) da Lista de Exercícios do professor diz: "Calcular o volume do tetraedro ABCD, sendo A(1,0,0), B(0,1,0), C(0,0,1) e D(4,2,7)." O gabarito impresso responde: 2.
São exatamente os quatro pontos da questão 1 da prova. E o volume do paralelepípedo que você calcula na questão 1 é 12, que dividido por 6 dá 2. (confere)
Ou seja: a questão 1 da prova é o exercício 75(a) da Lista, com o roteiro aberto item por item. Se o seu resultado der diferente de 12, você errou uma conta.
D.4 Coplanaridade
Se o produto misto dá zero, o paralelepípedo tem volume zero, ou seja, ele achatou. Isso só acontece quando os três vetores estão no mesmo plano:
u, v, w coplanares ⟺ ⟨u, v ∧ w⟩ = 0
Quando os três vetores caem no mesmo plano, o paralelepípedo achata e o volume é zero.
E para pontos: quatro pontos A, B, C, D estão no mesmo plano quando ⟨AB, AC ∧ AD⟩ = 0.
É A RESPOSTA DO ITEM (F) DA QUESTÃO 4
Na questão 4, o produto misto ⟨u, v ∧ w⟩ dá zero. O item (f) pergunta o significado geométrico.
Resposta: os três vetores são coplanares, estão contidos num mesmo plano, e por isso o paralelepípedo que determinariam é degenerado, de volume nulo.
E há uma razão a mais, específica daquela questão: como u + v + w = 0⃗, temos w = −u − v, isto é, w é combinação linear de u e v. Três vetores em que um é combinação dos outros dois são necessariamente coplanares.
PARTE E: O MAPA DE DECISÃO
Cole esta tabela na parede. Ela responde "o enunciado pede X, eu uso Y".
O enunciado pede · Use · Resultado
provar que dois vetores são perpendiculares · ⟨u, v⟩ · tem de dar 0
o ângulo entre dois vetores · cos θ = ⟨u,v⟩/(|u||v|) · número entre −1 e 1
provar que um triângulo é retângulo · ⟨,⟩ dos lados, ou Pitágoras nas normas · um produto dá 0
um vetor perpendicular a dois vetores · u ∧ v · vetor
a área de um paralelogramo · |u ∧ v| · número
a área de um triângulo · ½·|AB ∧ AC| · número
a altura de um triângulo · 2·Área/lado · número
o volume de um paralelepípedo · |⟨u, v ∧ w⟩| · número
o volume de um tetraedro · (1/6)·|⟨u, v ∧ w⟩| · número
provar que 3 vetores são coplanares · ⟨u, v ∧ w⟩ · tem de dar 0
provar que 4 pontos são coplanares · ⟨AB, AC ∧ AD⟩ · tem de dar 0
a altura de um paralelepípedo · |proj₍v∧w₎ u| · número
provar que dois vetores são paralelos · u ∧ v, ou coordenadas proporcionais · vetorial tem de dar 0⃗
PARTE F: ERROS QUE CUSTAM PONTO
Erro · Como evitar
Esquecer o sinal negativo da componente j · escreva + − + no canto do quadro antes de começar
Trocar a ordem das linhas do determinante · primeiro vetor do nome vai na segunda linha
Dar o volume negativo · volume é módulo do produto misto
Esquecer o ½ na área do triângulo · |u ∧ v| é a área do paralelogramo
Esquecer o 1/6 no tetraedro · paralelepípedo → tetraedro divide por 6
Responder "é a área" sem justificar · escreva a dedução: |u∧v| = |u||v|senθ = base × altura
Confundir ⟨u,v⟩ (número) com u∧v (vetor) · escalar → número; vetorial → vetor
Não conferir a ortogonalidade · ⟨u, u∧v⟩ tem de dar 0. Leva dez segundos
PARTE G: TREINO COM A LISTA DO PROFESSOR
Capítulo 3 da Lista, páginas 91 em diante do PDF, gabarito nas páginas 97 a 99.
Bloco 1, produto vetorial, conta pura
Exercícios 42, 43, 44, 50, 51, 52
Bloco 2, vetor ortogonal a dois vetores
Exercícios 45, 47, 49, 53, 61, 63.
O 49 pede um vetor unitário ortogonal a v₁ = (1,1,0) e v₂ = (2,−1,3), e depois um de módulo 5. É o procedimento completo da seção B.5.
Bloco 3, área (o coração das questões 2 e 3)
Exercícios 54, 55, 56, 57, 58, 59, 60.
O 57 traz quatro triângulos para calcular área por coordenadas. Faça os quatro.
O 60 pede a altura relativa a um lado a partir da área, é o item (h) da questão 3.
Bloco 4, produto misto, coplanaridade e volume
Exercícios 67, 68, 69, 70, 71, 72, 73, 74, 75.
O 75(a) é a questão 1 da prova. Faça-o por último, quando os outros estiverem dominados, e confira: tetraedro = 2, paralelepípedo = 12.
A SEQUÊNCIA MAIS EFICIENTE
Se o tempo apertar, faça nesta ordem: 57 (área) → 60 (altura) → 68 (coplanaridade) → 71 (volume) → 75 (a prova).
Cinco exercícios que cobrem, juntos, tudo o que as quatro questões pedem deste módulo.
PARTE H: ONDE LER MAIS
Assunto · Steinbruch e Winterle (páginas do PDF na sua pasta)
Produto vetorial: definição e determinante simbólico · 63 a 68
Propriedades do produto vetorial · 68 a 70
Interpretação geométrica: a área do paralelogramo (3.10) · 71 e 72
Problemas resolvidos de produto vetorial (3.10.1) · 72 em diante
Produto misto: definição e propriedades (3.12) · 76 a 79
Coplanaridade e o significado do misto nulo · 79
Volume do paralelepípedo, a dedução completa · 84
Volume do tetraedro · 85 a 88
Problemas propostos do capítulo 3 · 91 em diante; gabarito nas 97 a 99
Complementos, nos outros livros da sua pasta:
Assunto · Onde
Determinante 3×3, cofatores e Laplace · Determinante, a construção do conceito, páginas 2 a 7
Significado geométrico do determinante · mesmo arquivo, últimas páginas
Regra de Sarrus, para conferir · FME 4, páginas 92 a 94 do PDF
Paralelepípedo e volume de prisma · FME 10, páginas 149 a 153 e 170 a 174
PRÓXIMO PASSO
Abra o Módulo 4, As quatro questões da prova. Toda a teoria já está dada; o que falta é executar, cronometrado.
Autor: Ulysses Cesar
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